Não é “nudismo”, você leu certo, é “nadismo” mesmo, a arte de fazer nada, um dos mais incompreendidos conceitos da vida cotidiana. Até podemos fazer um paralelo com o nudismo, pois o nada fazer exige despir-se de algumas paranóias sociais. Os italianos, com seu “La dolce far niente”, têm mais familiaridade com a prática. Me deparei com esse tema lendo o artigo “How To Be Insanely Creative in Life”, de Ravi Shankar Rajan. Identifiquei-me pois meu trabalho me ensinou a ter esses momentos.
Experimente fazer nada, ficar aí, “deboas”: – Preguiçoso! Va-ga-bun-do! Maconheiro! Já tá bêbado? Vai carpir um lote!…
Nem sempre será sua mãe que estará lhe atirando estes adjetivos, muitas vezes é sua própria consciência. Porém, fazer nada não é ser inútil, o nadismo é uma atividade em si.
Em 1881, Nikola Tesla ficou doente em uma viagem a Budapeste. Seu colega, Anthony Szigeti, levava-o a caminhar para ajudar na sua recuperação. Enquanto observavam o pôr do sol em uma dessas caminhadas, Tesla teve uma visão sobre a rotação de campos magnéticos que levaria ao desenvolvimento do mecanismo elétrico de corrente alternada que usamos até hoje.
Friedrich August Kekulé, um dos mais renomados químicos orgânicos da Europa do século XIX, descobriu a estrutura em forma de anel do benzeno enquanto sonhava com um ourorboros, o famoso símbolo circular de uma cobra comendo a própria cauda.
Albert Einstein, quando precisava de inspiração para resolver problemas complexos, dedicava-se ao nadismo ouvindo Mozart.
Moacyr Scliar conta a história do vizinho que olhava o escritor, sentado, quieto, no jardim, e perguntava:
Descansando, senhor escritor?
Ao que o escritor respondia:
Não, trabalhando.
Daí a pouco o vizinho via o escritor mexendo na terra, cuidando das plantas: Trabalhando?
Não, respondia o escritor, descansando.
Sim, estou falando de “dar um tempo pra cabeça” pra resolver problemas em vez de se “atucanar” e fazer cagada. Este seria o jeito aqui do sul para definir o nadismo.
A criatividade tem muito de aleatoriedade, de fazer a mente vagar. Dar-se momentos de nada é uma maneira inteligente de viver e utilizar o cérebro. Esse é o motivo pelo qual Google, Twitter e Facebook transformaram o “tempo desconectado” em um aspecto fundamental de seus locais de trabalho.
Você deve estar pensando em dar um tempo pra cabeça enquanto dá uma olhadinha nas fofocas das redes sociais, certo? Errado! Esta é a síndrome moderna do “medo de perder uma treta importante.”
Ficar preso à tela sem fundo das redes sociais nos momentos de “desconexão” causa nervosismo pensando nas “coisas importantes” que podemos estar perdendo, além de desviar o foco e causar mais cansaço mental.
Especialistas em todo o mundo concordaram que essa é uma das principais razões de casos de doenças mentais em pessoas mais jovens.
Dê um tempo! Dê-se um nada!

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