Uma reza é um carinho para quem está fragilizado. Um voto é um sinal de confiança. O ato solidário é força para um recomeço.
O ato solidário não resolve o problema da fome, o voto não faz a democracia, a reza não evita o trágico.
Não precisamos de ações humanitárias, precisamos de soluções humanitárias.
Não precisamos de populismo, precisamos gestão responsável.

Não precisamos rezas mendicantes, precisamos de profunda compreensão.
Atos nobres e isolados são belos e momentâneos, servem para superar os primeiros degraus das fatalidades. Fazer deles uma política eterna é negar a dignidade de se autogerir e escravizar pela bondade.
Uma reza acalenta o moribundo a morrer sorridente. Solidariedade acalenta a consciência de quem dá; a fome de quem recebe, volta e mata.

Um incompetente bondoso causa tanto mal quanto um crápula. Um idiota bem intencionado pode ser um flagelo.
“Em 1990, a expectativa de vida na Tanzânia era de 51 anos; em 2007 o governo local comemorou o fato de que essa média tinha chegado a 58 anos de idade, praticamente a mesma taxa que existia no Reino Unido… em 1910!”

“De cada dez refugiados no mundo, oito vivem em países pobres. E eles nem sequer existem para muitos de nós. São sombras que o mundo prefere não ver para não ter a obrigação moral de lhes dar uma solução.”

“A ex-economista do Goldman Sachs, Dambisa Moyo, estimou que a África recebeu US$ 1 trilhão em ajuda nos últimos 60 anos – apenas para criar dependência e ver 350 milhões de pessoas vivendo com menos de US$ 2 por dia. Ou seja, não está funcionando.”

“Estudo publicado pelo Fórum Econômico Mundial indicou que, em países escandinavos, uma família precisaria de apenas duas gerações para que seus membros deixassem a condição de pobreza e fincassem de forma sólida os pés na classe média. No Brasil, o mesmo estudo indicou que tal ascensão levaria nove gerações.”

“Cientistas apontam que, de 1940 até hoje, mais de 400 doenças infecciosas surgiram no planeta. Ainda que as bactérias representem mais de 50% delas, foram os vírus que causaram os maiores impactos: HIV, H1N1, H5N1 e o Ebola. Mas as estimativas apontam que existem 1,6 milhão de vírus desconhecidos no planeta, dos quais até 800 mil poderiam atingir as pessoas. Os cientistas, porém, conhecem plenamente apenas 0,4% deles.

Assim, por décadas, doenças que atingiam apenas as partes mais miseráveis do mundo simplesmente não eram alvo de investimentos por parte de multinacionais, enquanto governos simplesmente ignoravam suas populações. Havia mais atenção à calvície e a questões cosméticas do que a esse grupo de doenças.”

Não há plantação de coca e laboratório de produção de cocaína nas favelas, também não há lá fábricas de fuzis e munições.
Os políticos que votamos têm um quadro realista sobre a complexidade social? Têm projetos que se sustentem, mesmo que modestos? Pensam a longo prazo? Têm projetos de governo em vez de projetos de poder? Caso não, nos sobra a reza mendicante, a solidariedade paliativa, as reclamações de Facebook.

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