Hoje eu escrevi aquela lacrada no Face. A Frase perfeita que todos iriam curtir e compartilhar. O alcance orgânico fez os nerds do Facebook acordar o Zuckerberg de madrugada: “Você tem que vir ver esta merda aqui.” Os algoritmos ficaram loucos. Meu texto foi o Neo no meio da Matrix. O Vale do Silício se reuniu na maior meetup já vista por lá. Eles analisaram cada palavra da frase matadora, calcularam a correlação de sílabas, os verbos, a pontuação… Aquilo não foi uma frase, foi um teorema capaz de condensar a atenção hipnótica de milhões. Como não poderia deixar de ser, isso chegou ao conhecimento do Trump. Ele ordenou que a lacrada deveria ser considerada arma de manipulação de massas e invocou propriedade sobre ela.
Não sei se vocês sabem, mas o Facebook tem um simulacro virtual da humanidade que avalia tudo que é postado antes de ser postado de verdade. Tem um você, um eu, um todo mudo feito de bits, alojados em uma fazenda de servidores escondida no Ártico. Já perceberam que as vezes a gente posta algo e demora uns segundos para aparecer na linha do tempo? Pois é! É o simulacro analisando. Se a humanidade virtual se mantém estável, vai para linha do tempo real, mas se ocorre um abalo… bom, aí é onde quero chegar…
Acontece que minha lacrada gerou “O” abalo, e o simulacro entrou em colapso.
A última coisa que lembro foram uns caras de preto chegando aqui em casa nuns caminhonetões brancos. Achou que seriam pretos, né? Ficaram manjados. Hollywood revelou muitos truques do governo americano, agora eles usam caminhonetes brancas e, às vezes, Toyotas Prius amarelo-ovo. Eles odeiam Hollywood por isso, ou você acha que a Netflix está assumindo a liderança por acaso? Há uma guerra nos bastidores da informação. A Cia e o Zuck (que é Illuminati) vão destruir Hollywood.
Mas voltando. Os agentes me levaram para um laboratório, me encheram de drogas e eu fiquei uns dias, (eu acho que foram dias), vendo luzes piscantes, debates políticos e episódios dos Teletubbies. O resultado foi uma lavagem cerebral com direito a QBoa e Pinho Sol. Minhas memórias mais sujas resistiram, mas as que eram  cândidas e recentes foram lavadas. Por sorte, meu cérebro e fígado são calejados. Quem sobreviveu a vinho de pêssego em garrafa pet e drink Dreher não pira com qualquer droga. Então, em sonho, lembrei de alguns fragmentos e resolvi escrever este relato antes de ser levado e lavado novamente.
Infelizmente, a lacrada se perdeu na QBoa. Mas eu sei que ela está no local mais protegido do Pentágono. Um dia eles irão usá-la. Tive minha própria versão do filme Inception. Retiraram da minha memória a lacrada matadora e implantaram outras coisas no lugar. As musiquinhas dos Teletubbies não me saem da cabeça.

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