Cada vez que respiramos, inalamos 100 milhões de moléculas que já passaram pelos pulmões de todos que já viveram antes de nós.
Enquanto você espera seu ônibus, pensando nos boletos a pagar, respira moléculas que podem ter passado pelos pulmões de Hitler, enquanto ele tomava chá em sua casa, na Baviera, pensando em como fazer todos os judeus do mundo pararem de respirar definitivamente.
Se você gastar um Real por segundo, você acaba com um milhão de Reais em onze dias e meio.
Se o nosso Sol fosse do tamanho de uma bola de basquete, a Terra seria do tamanho de uma ervilha. Se a supergigante estrela Antares, distante 600 anos-luz da Terra fosse do tamanho de uma bola de basquete, nosso Sol seria um ponto de lápis. A Terra, visualmente, não existiria.
Enquanto você fala “Um Jacaré”, a luz que lambeu seu rosto está 300 mil quilômetros distante. Se o tempo de existência do nosso planeta fosse de um ano, o tempo de existência do ser humano seria de um segundo.
Por que estou com esse papo de Almanaque Biotônico Fontoura? É que pretendo causar algum espanto.. Segundo os gregos, “é no espanto que o pensamento começa”.
Temos sido condicionados a acreditar bovinamente, me apavora a possibilidade da perda da capacidade do espanto. Há que se espantar sem ser espantalho.
Espantar-se induz à curiosidade; ser espantalho é assustar, tentar afastar a curiosidade.
Com as grandezas do universo e com as pequenezas humanas, sempre me espanto.
E o que fazer com isso? Há caminho entre o aceitar tudo e o mudar tudo. É para isso que as moléculas da história estão por aí, circulando, voltando, entrando em pulmões novos, oxigenando ideias novas, lembrando do que não deveria ser repetido, dando pistas do que pode ser reciclado.
Há duas atividades que me valem cada segundo e cada inalada de ar: amar e aprender. Em muitos casos, a primeira depende da segunda.
Na parada de ônibus, na fila do banco ou em uma sacada com vista para os Alpes Bávaros, é possível uma leitura, uma reflexão ou fones de ouvido transmitindo algum conhecimento. O mais comum, no entanto, é um olhar perdido no nada, ou pior, um olhar desnorteado na linha do tempo sem fundo dos boatos e distorções.
Aprender é uma capacidade pré instalada em cada cérebro humano; pena que também a preguiça é.

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