Quando eu era bem jovem, mas já curioso e inconformado, era cercado de pessoas normais, que enfatizavam que era normal ser normal. Quando eu fazia muitas perguntas, como todo jovem, recebia evasivas na maioria das vezes. 
Então os esquisitos começaram a me chamar atenção. Se tivesse um cabelo diferente, roupas estranhas, hábitos fora do comum, se tocava algum instrumento ou cantava, se era considerado “anormal” já me interessava a observação da entidade.
Com cuidado, pois era jovem, não burro, aproximei-me de alguns esquisitos. No início, só ficava perto e ouvia o que falavam. Quando citavam algum nome, livro, assunto ou teoria, eu anotava e depois ia pra biblioteca pesquisar ou perguntar para algum professor. 
Municiado de parco conhecimento sobre determinado assunto pesquisado, arriscava um comentário naquelas rodas de gente estranha. Então me olhavam, com alegre espanto, e eu ganhava uma migalha de respeito.
Com o tempo, vi que funcionava, e uma coisa levava a outra, um conhecimento puxava outros, e dúvidas, teorias e discussões foram se criando. Separei os que eram só esquisitos dos que tinham conteúdo. Com mais tempo, descobri pessoas “normais”com muito conhecimento e aprendi a ir depurando, aprendi a nadar no mar das dúvidas abissais. Aprendi a aprender. 
Hoje todos me ensinam algo, os esquisitos, os normais, os maus, os humildes, os sem estudo… Alguns me dão aulas que duram dois minutos, outros, mestrados de vida inteira. Não há vida sem bagagem e fazer alguém abrir o baú que arrasta e, lá de dentro, retirar e lhe oferecer um presente é só para quem sabe pedir e compartilhar.
Nessa época de pressa e instantaneidade, a busca pelo conhecimento se perde. Ela é lenta e tem muitos caminhos e becos. Nessa época de ostentação de prazeres e sorrisos, ela se afasta. A busca pelo conhecimento precisa de isolamento, reflexão e pesquisa. E ela vem com uma boa dose de melancolia e as angústias inerentes a cada nova dúvida e certeza quebrada.
Mas o que mais dói ao aprender é admitir que se estava errado. É um golpe muito profundo na vaidade. É ficar nu na rua principal da cidade. É aguentar os olhares inquisidores e debochados dos pares e da própria consciência.
A busca pelo conhecimento também é um pouco antissocial e ranzinza, ela consome a paciência com simplismos e visões apressadas. Com tantas contra indicações, por que, afinal, buscar conhecimento?
Após passar pelo vale da morte das certezas vaidosas, aprende-se a fazer do pensamento um parque de diversões. Então, não nos importamos por estar sós. Não nos importamos em agradar ou desagradar. Agradar o tempo todo é a preliminar da subserviência. E a busca pelo conhecimento nos coloca em contato íntimo com a pessoa mais fascinante do mundo: o Eu.

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