Primeiro, é preciso açoitar bem o vagabundo, para baixar sua ousadia. Uma boa prática é amarrar pedacinhos de ossos, ou melhor, de metal, na ponta de cada tira do chicote. Assim, a cada golpe, a carne rasga, criando um espetáculo de rios de sangue escorrendo nos sulcos desenhados da pele. E os urros de dor? Ahh! Como excitam! Mas cuidado! Não se deve se empolgar nessa etapa do processo. Alguns prisioneiros estão enfraquecidos pela fome, currados e espancados pelos guardas e podem não resistir. Não queremos que morram logo no início da diversão.
A vergonha e a humilhação não devem ser subestimadas. Para nós, sádicos, podem parecer torturas menores, mas quebrar a psique, a coragem e a resiliência dos infames é tão prazeroso quanto quebrar ossos. Submeta-os à humilhação pública, faça com que carreguem seus calvários, distorça suas histórias, minta sobre seus passados, elimine seus descendentes. Jogue merda em suas caras. Estimule o povo a insultá-los, chutá-los e extravasar ódios com pauladas e pedradas.
Um trabalho bem feito contará nossa história e honrará os valores da pátria.
E quando os pregarem na cruz, há uma ciência a ser observada. Não crave os pregos nas palmas das mãos, elas nao resistem e rasgam com o peso do corpo. O lugar ideal é o espaço de Desdot, no pulso, abaixo do polegar. Os pés podem ser pregados ou amarrados, mas é importante estarem sobre um banco instável, ou saliência inclinada que proporcione cansaço. Assim garantimos uma tortura de vários dias, possibilitando a visita de mais cidadãos ao espetáculo. Se tiver pressa e o agitador for forte, quebre suas pernas.
Um esclarecimento técnico: a morte na cruz não ocorre por sangramento, mas por sufocação. Um corpo pendurado por dias faz a musculatura do abdômen e da caixa torácica cansarem e o diafragma não consegue auxiliar na respiração. O colapso muscular trata de fazer o trabalho, afogando o meliante na própria fadiga. Isso só pode ser um presente de Deus!
É especialmente divertido, nas últimas horas dos moribundos, ouvir suas tentativas de nos insultarem. Depletados pelo cansaço, cada palavra sai de suas entranhas ao preço de dores terríveis. Provoque-os! Cutuque suas feridas. Deleite-se com os berros angustiantes.
Evite a tentação de cravar sua lança no fígado e baixo ventre, eu sei que o jorro de sangue e o esvaziamento dos intestinos é belo, mas temos que ser profissionais.
Após a morte, não queimem, nem entreguem os corpos para deleite dos predadores. Deixem que os adoradores os resgatem, que façam seus féretros e criem lembranças.
Será muito divertido, daqui a dois mil anos, vermos imagens da nossa arte sendo adoradas em templos, livros e pescoços de gente de bem.

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