Que vida miserável cultiva aquele que justifica seus erros com erros maiores, com erros de outros, com erros anteriores. Aquele que rega suas falhas com o chorume de misérias espera que floresça o quê, além de ressentimento e derrota?
Ora, do vírus à baleia, os seres são movidos pelo gênio de suas espécies, que usa seus corpos para promover pequenos incrementos evolutivos. O que dá certo procria mais, o que não dá certo, morre antes. O que dá certo rega com o sucesso sua linhagem. O que não dá certo, some.

Esta é uma observação que se tornou simples depois de Darwin e é automático a um ser pensante se entregar a analogias.
Uma analogia básica podemos fazer facilmente. Quando justifico erros meus ou de quem amo, com erros anteriores, maiores e de outros, o que faço comigo e com quem amo? Acomodo, involuo, limito.

Baixo gradativamente a régua da qualidade contrariando tudo que a natureza vem se esforçando a ensinar com sua paciência de milhões de anos. Esta tem sido a prática preferida, diria única, de que dispõem os preguiçosos e medrosos adoradores de mitos populistas.

Sim, preguiçosos porque se negam a ir até as fontes diversas de conhecimento se dar ao trabalho de extrair, moer, digerir as indigestas raízes do saber.

E sim, medrosos, porque não se assumem erros e ignorância sem coragem. Na essência destas falhas de caráter, está a vaidade de parecer mais sábio e confiante do que é. Está o sedutor atalho até o bônus, evitando todas as picadas do ônus. A vaidade oferece o conforto do simples pensar e reveste a ignorância com mantos de personalidade forte, visionária, fora da curva. A simplificação reducionista ganha ares de genialidade. Não se modifica sistemas complexos de cima para baixo, não é possível parar a evolução por decreto, uma ideia não morre à bala, uma sociedade em toda sua complexidade não vai ser contida por um único e cristalizado modo de pensar. Ditaduras comunistas, fascistas e nazista já tentaram e ironicamente quem as condena oprime ditatorialmente seu próprio pensar com negação, conspiração, culpa alheia, bolha e ausência de autocrítica.

Um pensamento livre não se limita a um esquema pronto que o impeça de investigar suas falhas. E, antes de tudo, um pensamento livre e forte quer elevar a régua da qualidade, pois se alimenta do desafio e o diferente lhe nutre, não o ameaça. O pensamento livre, portanto, não vai justificar erros seus ou de quem quer que seja com outros erros. Ele os acrescentará à fórmula da melhora.

Pequenos erros aqui e ali evitam os erros maiores, pequenos incêndios em uma floresta eliminam acúmulo de material inflamável, evitando fogos descontrolados. Empresas que quebram alimentam um sistema que se torna mais forte aprendendo com os erros. Os corajosos que arriscam algo ousado e que falham são ridicularizados pelos vencedores medíocres, que bebem da fórmula consagrada. Na natureza, na musculatura, na sociedade e no pensamento, ir além, arcar com a dor, cair e levantar, gera resiliência. Na política, temos feito o contrário, temos sistematicamente baixado a régua da qualidade para acomodar erros. Estamos matando os estadistas para sermos liderados por néscios.

“Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me adulam, porque me corrompem.”
Santo Agostinho

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