Mãe é exemplo de amor. Mães, com dedicação, criam cidadãos para o mundo. Mas como o mundo pode ser cruel para algumas mulheres que, como se não bastasse sua entrega, ficam reféns das escolhas profissionais dos filhos. Desconhecidas celebridades são as mães de juízes de futebol, dos maus motoristas e dos políticos. As mães, sabemos, têm a tendência de ver seus filhos como heróis, sempre verão o lado bom do lado ruim dos seus bebês. A mãe do mau motorista sabe que se ele não liga pisca, se ultrapassa pelo acostamento e estaciona em lugar proibido é porque está com pressa. Tem compromissos e responsabilidades que o estressam e não pode ficar se prendendo a detalhes sociais. Os que têm mais tempo, os folgados é que devem entender. Ele trabalha muito, é um exemplo para o país. Deem tempo e espaço ao coitado. Mas não. Os folgados não perdoam. Basta o querido fazer uma manobrinha irregular e garantir seus preciosos segundos que já vem uma homenagem à progenitora.

As mães de juízes de futebol são as criaturas mais serenas do planeta. Esqueçam os monges, os mestres de yoga, o Divaldo Franco. Em dia de jogo, mães de juízes entram em um estado catártico super avançado de consciência, que absorve a grande massa de energia negativa que lhes é dirigida. É uma missão. Aliviar tensões, purgar um pouco da violência do mundo.

Fico imaginando como são as mães dos políticos e assessores das manchetes recentes. Dariam elas, versões das típicas recomendações maternas?
“Põe uma cuequinha maior, meu filho, tô com a sensação de que hoje o clima vai estar generoso em Brasília.”
“Leva esta malinha mais espaçosa querido, é mais compatível com o teu valor.”
“Este casaquinho tem mais bolsos.”

“Tenho um mau pressentimento com aquele pessoal da imprensa.”

“Vi um banco na Suíça que é a tua cara.”

“Leva guarda-chuva, a previsão é enxurrada de denúncias.”

E nas candidaturas a reeleições, estas mães requentam promessas no forninho quando os pródigos rebentos chegam cansados à noite?

E quando são pegos e presos os filhos, choram e lamentam essas mães, pela injustiça da justiça?

Dizem que os amores e a justiça são cegos, mas pelo menos seus olfatos poderiam ser mais desenvolvidos em compensação.

São as mães desses políticos e seus asseclas, tão afetadas de amor que veem uma realidade diversa da nossa? São seus filhos vistos como seres iluminados que merecem galgar posições privilegiadas usando o povo como escada? Assim como maus motoristas, são os filhos políticos acima da lei, da moral e das convenções sociais?

Não creio. Acho que estas mulheres, assim como a Pátria, que também é mãe, estão apáticas e presas em uma catarse triste.

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