É muito triste constatar que, em algumas cidades, as câmaras de vereadores, encarregadas da fiscalização do bom uso do dinheiro público pelo Executivo, comportam-se como gafanhotos, devorando as verbas que certamente fazem falta na Saúde e na Educação. Um levantamento elaborado pelo Ministério Público de Contas, divulgado esta semana, aponta diversos abusos em gastos com diárias. Cursos, seminários e eventos em cidades turísticas, com frágil ou nenhuma comprovação de frequência, permitem a suas excelências engordarem os próprios salários de forma imoral e, em muitos casos, ilegalmente.
Na cultura popular, diz-se que “o hábito faz o monge”. Da mesma forma, o fácil acesso a verbas públicas constrói a corrupção em nosso país, onde a criatividade para burlar as leis costuma ser muito maior do que para criar mecanismos de controle e fiscalização. Felizmente, em nossa região, os vereadores parecem mais conscientes de seu papel e, se há irregularidades, elas não podem ser vistas a olho nu.
Em geral, o levantamento do MPC mostra que os legislativos do Vale do Caí usam as diárias com a moderação recomendada a agentes públicos sérios e honestos. Inclusive, em quatro municípios, ao longo do ano passado, este mecanismo sequer foi acionado. Em Montenegro, também não houve abusos e as regras para a obtenção são particularmente rígidas. Nem sempre foi assim, mas estamos evoluindo.
É comum ouvir a população reclamando dos vereadores, mas lamentavelmente são poucos que realmente acompanham seu trabalho. E é justamente aí que reside o problema. Os fiscais também precisam ser… fiscalizados. Somente o olhar atento do contribuinte produz o veneno necessário para dizimar as nuvens de gafanhotos que sobrevivem na política brasileira. A corrupção e os desvios só ocorrem quando ninguém está olhando.

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