A volta à rotina pós feriado de Proclamação da República foi, para muitas famílias gaúchas, de incerteza quanto a se as escolas dos filhos estariam ou não abertas. O Sindicato que representa o magistério estadual, o Cpers, anunciou ainda na quinta-feira durante grande ato no centro de Porto Alegre, a greve geral da categoria. A medida é uma resposta ao Governo Estadual que mexem com a carreira dos professores, fazendo, por exemplo, com que as gratificações e vantagens conquistadas ao longo de anos em sala de aula passem a integrar o salário básico e o fim das vantagens temporais (triênios, quinquênios e avanços), entre muitas outras medidas.
É inegável que essa incerteza sobre se a escola do filho funciona ou não é desagradável às famílias. Mas é hora de todos os gaúchos se unirem em apoio aos professores. Escola não é depósito de criança e adolescente, é o local onde eles vão para aprender. E que condição estes mestres – com salário parcelado e tirando décimo terceiro com empréstimo – têm de ensinar? Sobretudo os estudantes que estão concluindo o Ensino Médio e acabaram de prestar o Enem têm todos os motivos para estarem apreensivos, afinal o ano letivo pode não terminar em dezembro caso a greve se avolume e alongue como já dá sinais.
Mas ninguém melhor do que eles sabe que a nossa educação vem sendo desvalorizada e maltratada pelos governos. E este comportamento contra os educadores é o culpado pela greve, e não os professores, tão vítimas quanto os estudantes.
O governador Eduardo Leite não minimiza o problema afirmando que “as medidas não são simpáticas, mas fundamentais”. Para que esta afirmação gerasse o resultado desejado, as medidas antipáticas precisariam atingir a todas as carreiras do Executivo, Legislativo e Judiciário. O que não ocorre.
O pacote é muito rígido com aqueles que historicamente são mal remunerados, mas não mexe nos altos salários nem propõem uma divisão de sacrifícios com os outros poderes, pagos todos de um único cofre, o do Executivo. Apoiar a educação, hoje, é apoiar a luta do magistério. Sem professores valorizados jamais teremos uma educação de valor e, sem esta, nunca poderemos ambicionar algo melhor para nossos filhos.

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