Passadas três semanas da aprovação pela Câmara dos Deputados e pelo Senado, o presidente Bolsonaro enfim sancionou o auxílio financeiro aos estados e municípios. Esses recursos são ansiosamente aguardados por prefeitos e governadores de todo o país, já que as medidas para prevenção à Covid-19 derrubaram as arrecadações e geraram gastos não previstos, em orçamentos que já estavam apertados.

No que diz respeito ao governo do Rio Grande do Sul, por exemplo, a chegada de dinheiro permitirá reorganizar o pagamento do funcionalismo, com gravíssimos atrasos muito anteriores à Covid-19. Nosso Estado, como bem sabemos, está com as contas no vermelho há vários anos. Montenegro e outras tantas cidades do Vale do Caí e de todo o RS contam com esses recursos federais, que variam conforme o município, não para fazer investimentos, como seria o ideal, mas para manter serviços básicos. É dinheiro que, em muitos casos, sequer resolve o rombo que se abriu com a queda no consumo e pagamentos de impostos importantíssimos aos cofres municipais, como o IPTU.

Por outro lado, vemos surgir Brasil afora histórias de mau uso do dinheiro público nos gastos com a pandemia. Por “mau uso”, entenda-se atitudes incompetentes e, também, fraudes dos mais diversos tipos. De hospital de campanha anunciado, mas não entregue até rua sendo higienizada com nada além de água, passando por doação de alimentos que simplesmente não chega nas comunidades mais humildes. Infelizmente, temos de reconhecer que falcatrua não é novidade neste país. Fosse assim, talvez nossa saúde pública estivesse bem melhor preparada para uma crise. Mas assusta que alguns consigam lucrar além do justo. Talvez não pensem que ninguém está imune ao coronavírus e respiradores também estão em falta no sistema privado de saúde em vários estados.

Agora que, enfim, o dinheiro virá, os gestores públicos terão de fazer esforços para investir cada centavo no que realmente importa. Além da saúde, é preciso olhar para a assistência social. Temos milhões de desempregados. Famílias inteiras sem sustento. Crianças chorando de fome. Tenhamos responsabilidade, senhores prefeitos e governadores. Precisamos de boa gestão, honesta e competente. É o mínimo que se espera. Mas, em alguns casos, como as notícias estão demonstrando, é necessário lembrar.

Deixe seu comentário