O drama da falta de chuva que assola o Rio Grande do Sul desde dezembro atinge diferentes comunidades de formas distintas. Há cidades do Estado que, há mais de um mês enfrentam racionamento. Aqui no Vale do Caí, pelo menos nas áreas mais urbanas, a grandiosidade desta crise demorou muito a ser percebida. Mesmo agora quando os meses de seca já mostram reflexos intensos, ainda se observa pessoas lavando calçadas, carros e vitrines com direito a mangueira jorrando algo que já deveria ser tratado como raro.
Se na cidade o drama demorou a se tornar intenso, no campo ele há muito já preocupa. Por todo o Rio Grande do Sul, safras de Verão foram perdidas e os agricultores agora se vêm na necessidade de pedir ajuda ao governo para poder replantar e esperar por tempos melhores. Esta esperança, vem da fé e não da previsão do tempo. Nas culturas de Inverno, a cada dia de céu limpo a perspectiva diminui. É o caso de quem vive da citricultura, tão importante para Montenegro e o Vale do Caí. Já se sabe que não teremos bergamotas na quantidade e qualidade de outros anos. Pudera, essa é a pior estiagem desde 2004 e mesmo que nos últimos anos nossos agricultores tenham investido em técnicas de irrigação que exigem muito menos do rio, o Caí está sofrendo.
Em reportagem publicada na edição de hoje, mostramos a situação do leito em diversos pontos do Vale e a visão de quem há décadas vê a água avançar e recuar conforme o volume das chuvas, mas jamais o tinha visto tão baixo. O nosso Rio Caí, que nos brinda com belas paisagens e nos dá condições para uma agricultura farta e vida saudável, está pedindo socorro. A expectativa é que, nos próximos meses, a chuva venha, mas, ainda em quantidade muito distante da necessária para a normalização dos casos. Até lá, todos teremos que oferecer um esforço especial, economizando água para além do estritamente necessário. Se não cuidarmos, o que hoje é pouco, amanhã será nada. E num momento em que a sociedade já está tão machucada por outras dores, ficar sem abastecimento de água seria um sofrimento incalculável. Precisamos dela para viver e para produzir. Por isso, é melhor preservar o pouco que ainda resta.

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