Cada vez que surge uma nova informação sobre a Covid-19 no Vale do Caí – em especial em Montenegro – questionamentos e especulações crescem. Seja pelas autoridades não serem claras como poderiam ou porque há quem teime em brigar com a informação quando esta não satisfaz o seu gosto.

Na sexta-feira, a prefeitura de Montenegro informou à população que a cidade acabava de entrar na lista de municípios com registro de morte por coronavírus. Duas questões foram muito levantadas. A primeira diz respeito a essa paciente ter falecido em Porto Alegre. Ela estava internada na Capital há alguns dias para fazer uma cirurgia cardíaca, pegou Covid-19 e veio a falecer. Também nas redes sociais, uma familiar veio a público questionar a causa da morte. Segundo a “sobrinha”, a causa seria o problema cardíaco e não o coronavírus. Esta informação teria sido transmitida ainda na quinta-feira. As autoridades explicam, porém, que na sexta-feira, com a chegada do resultado do exame, soube-se tratar-se de Covid-19. Diante desta sequência de tristes acontecimentos, temos de questionar algumas questões.

Primeiro que, diante de números tão inacreditavelmente altos de infectados e de óbitos, é natural que o Ministério da Saúde se utilize de protocolos que padronizem os casos. O critério escolhido foi a cidade habitada pelo paciente. Ou seja, esta idosa que faleceu, mesmo tendo se infectado e falecido na Capital, era moradora de Montenegro e, por isso, este óbito entra para as estatísticas daqui. Se, no decorrer da pandemia, alguém de outra cidade vier a falecer por Covid-19 no Hospital Montenegro ou no Hospital Unimed Vale do Caí, esta morte será contabilizada para a cidade de origem do paciente. Um detalhe que faz diferença, é claro.

Se formos analisar com frieza, perceberemos que a informação é: uma montenegrina morreu tendo Covid-19. Este é o fato relevante. A vítima tinha um problema cardíaco, mas, segundo as informações oficiais, talvez ainda estivesse entre os seus familiares se não fosse infectada pelo vírus. É próximo do que muitos comentam a respeito das “comorbidades”. A pessoa tem diabetes ou pressão alta, por exemplo, mas no atestado de óbito está Covid-19. Sim, porque não fosse o vírus, ela seguiria por muitos anos ainda, controlando sua doença pré-existente. E, acima de tudo, antes de perder tempo discutindo, devemos respeitar os envolvidos.

Nenhum óbito ocorreu em Montenegro? Ótimo! Vamos trabalhar para que siga assim. Prevenindo-nos mais a cada dia, usando máscara e mantendo os cuidados básicos com a higiene. Assim, estaremos preservando vidas.

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