Os 110 anos da Estação da Cultura, completados ontem, são um doce alerta de que o novo e o velho podem e devem coexistir nas cidades, sejam elas grandes ou pequenas. Para os mais jovens, pode ser difícil entender a importância de preservar estes verdadeiros monumentos históricos. Eles são testemunhas de momentos marcantes da economia, da política, do dia a dia das comunidades. Mais do que isso, um alerta de que já havia algo antes de chegarmos a este mundo e que também nós devemos deixar um legado aos que vierem depois.
Até o começo do século 21, a Estação era uma nódoa no mapa da cidade. Um prédio em ruínas, abandonado pelo descaso da população e das autoridades. Muita gente queria sua demolição, sob o argumento raso de que a restauração era impossível, cara demais, que não valia o esforço. Felizmente, nem todos pensaram desta forma. Um grupo de mulheres, preocupado com a preservação da cultura, assumiu esta bandeira e, com a parceria de uma grande empresa, devolveu esse importante espaço à população.
Será que um novo movimento assim é possível? Há outros prédios históricos em Montenegro precisando de manutenção e de restauração. Até o Palácio Rio Branco, sede do Executivo, está caindo aos pedaços. Infelizmente, os cupins têm sido muito mais rápidos que os políticos e, se nenhuma providência for tomada com urgência, em breve, ele terá de ser desocupado. E quando isso ocorrer, não faltarão muitas vozes defendendo a sua demolição também.
Preservar a história é necessário para entender como chegamos até aqui e para planejar o futuro. Existem exageros, obviamente, e nem tudo merece ser “tombado”. Mas hoje, infelizmente, a realidade é de total descaso. A Estação da Cultura é a prova de que pode – e deve – ser diferente.

Deixe seu comentário