Quem passou pela rótula na divisa entre Pareci Novo e São Sebastião do Caí no início da manhã do último sábado, 15, testemunhou uma manifestação pacífica. O objetivo é que sejam tomadas providências na sinalização do trecho, que foi cenário da morte do jovem Jean Lucas Martins no domingo, dia 9 de fevereiro. Na emocionante ação, mudas de plantas – em referência à vida – foram entregues às mães que por ali passavam. Apesar do clima de dor presente no local, com a comoção ainda tão presente diante do pouco tempo que a família teve para assimilar a perda, é um ato importante e que necessitava ser feito. Mostra que, mesmo abalada, a comunidade tem força e consegue organizar-se numa ação que é tão simples quanto enfática.
Além de o ato servir de desabafo aos amigos e familiares, ele também tem o papel de não permitir que o assunto caia no esquecimento. Depois do falecimento de Jean, medidas começam a ser analisadas no intuito de evitar novas tragédias. Uma audiência entre um representante de Pareci Novo e também do Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer), órgão vinculado ao governo do Estado, tratou sobre a sinalização do trecho da ERS – 124. Apesar da urgência do assunto, no entanto, por enquanto, nada mudou na prática. O ato desta família, ainda muito dolorida pelo acidente, reitera que a mudança tem que vir logo. Não aceitamos que ocorram mais mortes.
O Ibiá acompanhou de perto o ato e é preciso destacar que, dentre as diversas frases dos cartazes no protesto, uma dizia “Não é por vingança, é por amor!”. A grandeza deste gesto merece ser valorizada. Eles estão, sim, lembrando seu filho e amigo que morreu tão jovem. Mas estão, acima de tudo, pensando nas centenas de pessoas que passam ali diariamente e que podem também ter a vida ceifada pela falta de sinalização.
Aliás, pensar no próximo é algo que esta família vem exercitando desde a morte do rapaz. Os órgãos de Jean foram doados, podendo ter salvo a vida de até oito pessoas. O ato de, num momento de tamanha dor, lembrar-se de que um simples “sim ou não” tem a capacidade de salvar famílias inteiras da experiência de perder um ente querido é uma lição a todos. É provável que esse sentimento não apague a dor – nada o fará – mas a sensação de ajudar ao próximo é capaz de trazer algum alento. Que Deus e o tempo tranquilizem seus corações!

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