Quando o assunto é trabalho carcerário, é fácil deixar vir à tona todos os nossos medos e preconceitos. Se na rua não está fácil encontrar uma oportunidade, por que dentro da cadeia os presos as receberiam? A resposta só é simples, quando vista com esperança em dias melhores. Precisamos crer que os presos têm chance de recuperação. Se não acreditarmos que pelo menos parte daqueles que estão trancafiados não puderem se redimir e sair de lá capazes de enfrentar a vida em sociedade respeitando as regras de convívio sem ferir os demais, então temos que entregar os pontos e assumir que falhamos.
Agir para termos um mundo melhor é mais do que trancar aqueles que erram e esquecê-los lá. Nossas leis permitem que os brasileiros fiquem no máximo 30 anos presos. E isso é raro, considerando as progressões de pena. Em geral, os presos saem para rua, sejam livres ou em regimes mais brandos, em bem menos tempo. A questão está em como eles sairão. Melhores? Raramente. Talvez porque a índole está corrompida. É uma possibilidade. Mas também é possível que por falta de oportunidade. Será que alguém que deixa a prisão encontra uma oportunidade de trabalho? Encontra. No crime encontra, sem dúvida. É por isso que alternativas se tornaram imperativas, caso ainda queiramos uma sociedade melhor. Aos que não aproveitarem, que a lei os puna com rigor. Mas um caminho melhor deve ser ofertado.
Por isso que parcerias como as implantadas pela entre a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e a secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Turismo (Smic), de Montenegro, são importantes. A ideia de expandir a contratação de mão de obra prisional beneficia empresários, que podem contar com produções mais baratas. E também os detentos, que através da qualificação profissional e experiência, poderão ter uma nova oportunidade de reinserção social, ao término do cumprimento de suas penas. Sabemos que, para quem está à procura de emprego, é difícil compreender isto. Mas precisamos evoluir no pensamento de que a prisão não é o destino final, mas o caminho. E se esse caminho não for bem conduzido, ali adiante o futuro poderá se mostrar tão desagradável quanto irreversível. Vamos oportunizar que o destino final seja melhor para nós, para eles, para todos.

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