Neste domingo celebramos o Dia das Mães. Essas mulheres que nos deram à luz e também as que, não tendo gerado os filhos em seus ventres, os gestaram em seu coração – muitas vezes por muito mais do que nove meses. Mulheres fortes que, pelo simples ato de responsabilizarem-se por uma vida já merecem todas as honrarias do mundo e que nos servem de exemplo em tantas pequenas atitudes no dia a dia. Essas que inspiram seus filhos na vida, na profissão e nos seus sonhos. Mulheres que deixam as suas realizações de lado, muitas vezes, para nos ajudar nas nossas.

É bem verdade que o “ser mãe” foi romantizado ao longo dos anos. Por vezes jogamos para debaixo do tapete a carga psicológica e física que acompanha a mulher por praticamente toda a vida. Claro que o dom de gerar uma vida não deve ser diminuído! É algo sublime, que une o científico e o divino. Mas a vida da mulher não pode mais ser restrita à imagem materna panfletaria e idealizada. Em toda mãe, há uma mulher!

Aquela que escolhe ser mãe sabe dos desafios. Ela reconhece a mudança irreversível que assume. Ainda assim se entrega. E mesmo aquela que se depara com a gravidez não programada, tem por instinto acolher a vida em seu ventre. Ela não é menos mãe, e certamente é muito mulher.

E na sua caminhada, essa mãe que se forma junto com o filho tem ainda uma ameaça ainda mais brutal. O abandono paterno é a covardia que sintetiza a forma como essa sociedade ainda isola a mulher em um patamar abaixo. Segundo o site especializado Trocando Fraldas, uma em cada cinco brasileiras é abandonada na gestação. O que permite concluir ainda que um em cada cinco homens não assume sua responsabilidade pela nova vida que ajudou a gerar. E como o assunto é respeito, cabe lembrar de quando a família também abandona aquela mãe, sobretudo se é adolescente e solteira.

A reflexão deve ainda migrar para a sociedade, tocando no assunto mercado de trabalho. Os mesmo que elogia e tocam a barriga da grávida, algumas vezes, são os que consideram a “dádiva divina da vida” ao avaliarem o currículo vitae. A mulher ganha menos do que o homem, ainda que faça o mesmo trabalho; enquanto é julgada por sua feminilidade e por particulares da biologia indispensáveis para que seja mãe. Não apenas homenagens floridas no segundo domingo de maio devem ser dedicadas. A sociedade ainda precisa aceitar que a mãe é filha, esposa, irmã; e, sobretudo, é mulher.

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