A adoção de medidas preventivas contra a proliferação do coronavírus é bem-vinda num momento em que a maioria das pessoas, felizmente, já percebeu que a única forma de evitar o caos é impedir a sua multiplicação. Assim, os decretos que suspenderam as aulas, o transporte intermunicipal e estabeleceram regras de higienização para os mais variados ambientes mostram-se medidas coerentes e corretas. Contudo, é preciso considerar que toda esta operação de guerra tem um custo social e econômico. A doença é grave, assim como será devastador o fechamento de centenas de pequenas empresas cujas atividades estão sendo bruscamente zeradas.
Seguir as orientações das autoridades sanitárias é fundamental, mas não se pode abrir mão do bom senso. Na quinta-feira, a Administração Municipal de Montenegro determinou o fechamento de todo o comércio pelo período de 30 dias e pode ter assinado a sentença de morte de dezenas – talvez centenas – de empreendimentos. É preciso considerar que muitas empresas possuem atividades em que a aglomeração de pessoas é muito rara, como pequenas lojas e prestadores de serviços. O ideal teria sido o meio termo, como fez a Prefeitura de Porto Alegre, estabelecendo limites de permanência proporcionais ao tamanho de cada unidade.
Obviamente que regras mais flexíveis requerem fiscalização, tarefa da qual o poder público costuma se eximir sem a menor cerimônia. Basta ver que alguns supermercados e farmácias funcionaram ontem com grande quantidade de clientes. A procura pelos bancos também foi enorme e muita gente ficou aglomerada nas filas. Da mesma forma, o decreto não alcançou as índústrias, estas sim, em geral, donas de ambientes com grande densidade de funcionários, o que as torna muito mais perigosas do que bares e lancherias, por exemplo.
Quando se está diante de uma crise, aos líderes não cabe apenas fazer o que é certo, mas também transmitir a esperança de que tempos melhores virão. A Prefeitura de Montenegro, a exemplo do que está decretando a maioria das cidades, deveria ter limitado as medidas anunciadas a um prazo mais curto, talvez a metade e, havendo necessidade, prorrogado depois. É o fator psicológico, sugerindo que a situação vai melhorar no curto prazo – como se espera que ocorra – para que os empresários tenham mais tranquilidade para planejar a reação, garantir a sobrevivência de seus negócios e não saírem demitindo imediatamente suas equipes.

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