Dizem que santo de casa não faz milagre. O velho adágio popular tem se mostrado uma áspera realidade quando o assunto é a cultura local. É comum, em grandes festas e eventos regionais e estaduais, a organização reservar polpudas somas em dinheiro para a contratação de artistas reconhecidos e, ao mesmo tempo, ser “mão de vaca” com a prata da casa. Grupos e bandas das cidades onde ocorrem as programações, em geral, são chamados para os shows de abertura ou em palcos secundários para se apresentar “no amor” ou por uma ninharia.

O deputado Paparico Bacchi (PL) protocolou nesta segunda-feira (29) projeto de lei que busca corrigir esta distorção, valorizando músicos, cantores e trovadores do Rio Grande do Sul. Denominado “PL Pedro Ortaça”, a proposta que leva o nome do músico missioneiro estabelece a obrigatoriedade de contratação de artistas locais na abertura de eventos musicais patrocinados ou financiados com recursos públicos. Além do pagamento de cachê, o contratante deverá oferecer aos profissionais estabelecidos no Estado a mesma estrutura de palco, som, iluminação, camarim, água e alimentação.

O autor ressalta que é dever do poder público estimular a cultura regional. Bacchi afirma que o objetivo do seu projeto de lei é criar um novo mecanismo de promoção e valorização dos artistas gaúchos. Ele lembra que as bandas e os conjuntos musicais são empresas que geram empregos e pagam tributos para o Estado, assim como os instrumentistas, cantores e trovadores que têm carreira solo e investem no RS.

É importante que os incentivos não contemplem apenas os artistas do gênero nativista, mas também os que se dedicam a outros ritmos, como o rock e o samba,por exemplo. Mais adiante, talvez possível contemplar também outras manifestações artísticas, como o teatro e a dança.

A verdade é que leis desse tipo seriam desnecessárias se a valorização dos nossos artistas não fosse um mero discurso. Felizmente, em Montenegro, graças a parcerias com o Sesc, tem havido mais espaço para os talentos nativos em atividades bancadas pelo poder público com o dinheiro dos impostos. Contudo, as oportunidades de ganhar algum dinheiro ainda são poucas, obrigando nossos expoentes nas artes a viverem de outras profissões. Quem sabe, a nova legislação abra algumas janelas para quem está acostumado com as portas fechadas.

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