É justo que todas as pessoas – em especial as mais jovens – tenham grandes sonhos, metas ou aspirações. São elas, aliás, que fazem o mundo avançar e não faltam histórias de pessoas que, apesar de não nascer em berço de ouro, conseguiram ser brilhantes em suas carreiras. Mas os objetivos de cada um não podem ultrapassar as regras sociais do coletivo. E, muito menos, ser desculpa para cruzar a linha que separa os honestos dos desonestos.
A notícia de que a verificação racial eliminou 43% dos cotistas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) é como um soco no estômago de quem acredita que os jovens poderão tornar nosso futuro melhor. Isso significa que pessoas sem o direito tentaram se autodeclarar pretas, pardas e indígenas para ingressar na universidade com benefícios. Que tipo de médicos, engenheiros, professores, dentistas ou advogados serão? Outro caso similar gerou grande repercussão, dessa vez sobre a entrada no serviço público, quando um jovem branco pintou a pele para se passar por negro. Tão ridículo quanto desonesto. Além de passar vergonha, está tendo de se explicar.
E, ao contrário do que alguns, mal intencionados, tentam dizer por aí, essa linha entre o certo e o errado, de tênue não tem nada. Quem finge ser o que não é para ganhar alguma vantagem é desonesto. Uma mentirinha, mesmo que bem pequena, ao passo que prejudica os demais e transgride regras claras, é grave e deve ser punida. Somos nós, brasileiros, muito condescendentes com comportamentos inaceitáveis, por vezes sob o argumento de que os fins justificam os meios. Mentira! A forma como os fins são gerados, quando fere os outros ou a sociedade como um todo, importa sim e deve ser avaliada. Ou jamais deixaremos de ser a nação do jeitinho inadequado e desonesto.

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