Na última terça-feira, um caminhoneiro gaúcho de Caxias do Sul, que transportava uma carga de batatas até São Paulo, foi preso no Paraná, depois de dirigir por mais de 60 quilômetros sob o efeito de entorpecentes. O crime foi descoberto porque o condutor, ao deixar um posto, andava em ziguezague pela rodovia, ora no acostamento, ora na contramão. A Polícia Rodoviária Federal foi acionada e tentou pará-lo, mas, completamente alterado, o motorista manobrou para jogar a viatura para fora da pista. Só parou quando, sem alternativa, os policiais atiraram nos pneus.
Embora nem sempre ganhem as páginas dos jornais, situações assim são mais comuns do que muita gente imagina. É errado acreditar que o álcool é o único e grande causador de tragédias nas ruas e estradas brasileiras. Já faz muito tempo que drogas como a maconha, a cocaína e o crack rivalizam com a cerveja, a cachaça e os destilados como vetores de tragédias. Por isso, além do bafômetro, é urgente que as forças policiais passem a usar, em larga escala, também o chamado “drogômetro”.
O aparelho funciona de modo parecido a um teste de gravidez ou de HIV, detectando substâncias ilícitas presentes no corpo do motorista com base em uma amostra de saliva. A coleta é feita por meio de uma espécie de canudo, que depois é inserido na máquina. Dentro do dispositivo, há um cartucho onde se enfileiram seis tirinhas de papel (daí a semelhança com um teste de gravidez). E é ali que a saliva, em contato com os reagentes, é analisada. Com o resultado nas mãos, as autoridades podem responsabilizar os infratores.
Obviamente, a popularização do uso requer investimentos pesados, nem sempre disponíveis. A verdade, porém, é que uma vida perdida por causa da irresponsabilidade de quem bebe ou se droga antes de dirigir não tem preço. É preciso encontrar fontes de custeio para impor a lei a quem não tem apreço pela segurança e pela vida dos outros.

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