É comum falarmos ou ouvirmos que buscamos por igualdade de oportunidades, no que diz respeito à renda familiar, acesso à educação, saúde e tudo o mais que é básico ao seu humano. Mas isso está equivocado. O que queremos é equidade, e não igualdade. A diferença é que igualdade significa dar o mesmo tratamento para todos, enquanto o conceito de equidade considera as diferenças entre as pessoas. Ou seja, se oferecermos o mesmo para todos, pessoas com necessidades diferentes, alguns terão mais oportunidade e outros seguirão à margem da sociedade.

Esta diferença fundamental é o que faz algumas pessoas precisarem de ações como fornecimento de auxílio emergencial em função da pandemia e outros, por mais que também tenham perdido renda devido à crise financeira, possam passar pela turbulência econômica tendo como se alimentar. Também é por isso que algumas pessoas têm a necessidade de programas habitacionais de amplo subsídio governamental para conseguirem ter onde morar enquanto outras fazem seus financiamentos e assim realizam o sonho da casa própria. Nestes dois casos, são questões econômicas que dividem a sociedade em dois grupos com necessidades distintas e que necessitam de tratamento diferente para alcançar o mesmo patamar básico: ter o que comer e um teto para viver.

Além destes casos, o conceito de equidade também de aplica quando falamos de crianças com necessidades especiais. Aos adultos também, é claro. Mas nos referimos em especial às crianças porque é nesta etapa da vida – de franco desenvolvimento – que uma “ajuda” a menos deixa mais marcas. Uma criança autista que não recebe aporte para o diagnóstico e não é atendida ainda na primeira infância pelos profissionais adequados, tem menos chances de desenvolver todo o seu potencial. São crianças que precisam de mais atenção do Estado, de mais investimento em terapias específicas para poder alcançar desenvolvimento similar a outras, chamadas de crianças típicas. Equidade, neste caso, é oferecer o que cada um precisa para alcançar uma “linha de chegada” móvel e desconhecida chamada de potencial. Quando não oferecemos todo o possível a uma criança, seja ela típica ou especial, jamais sabemos o quanto ela poderia ter evoluído.

Estamos na Semana de Conscientização sobre o Autismo, que teve início com uma carreata organizada pela Associação Ser Autista, e segue com uma série de atividades que visam trazer visibilidade ao assunto. Além do autismo, há uma série de outras condições que exigem a oferta de tratamento especial à criança, como a Síndrome de Down, por exemplo. A sociedade precisa abrir os olhos para estes casos e tantos outros. Pelo que deixa de oferecer a essas pessoas sim, porque isto são direitos que lhes são negados. Mas, sobretudo, pelo que deixa de receber e de construir em conjunto: uma sociedade mais plural e melhor para vivermos.

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