Faz anos que o transporte universitário causa apreensão em Montenegro. Mudanças de rota e redução nas linhas ocorrem a cada semestre, reduzindo as opções ofertadas aos estudantes. Para o ano que vem, a situação tornou-se ainda pior. Os alunos da Ulbra, de Canoas; e da Feevale, em Novo Hamburgo; estarão sem nenhuma opção de linha universitária da Viação Montenegro a partir de fevereiro. E aos da Unisinos restou apenas um horário, à noite, que passa pela universidade, mas totalmente impraticável para quem deseja chegar antes do início das aulas.
A medida é autorizada pela Metroplan, mas desagrada os estudantes, que agora ficam dependendo de veículos ou vans particulares e têm maior custo, que muitos estudantes não podem pagar. A argumentação é de que não há estudantes o bastante para sustentar as linhas, que geram prejuízo à empresa. Isto é compreensível e um problema geral no transporte das cidades. As pessoas utilizam menos o transporte público porque não consideram sua relação custo-benefício boa. Com menos usuários, a qualidade baixa e o preço da passagem sobe, desagradando os passageiros, que abandonam o serviço. Nas grandes cidades e seus deslocamentos curtos, o transporte por aplicativo tem minimizado o problema, mas ele não serve de solução entre Montenegro e Canoas, por exemplo.
Não é possível condenar a empresa. Obviamente, a linha não tem os passageiros necessários, ou a desistência seria o mesmo que rasgar dinheiro. Mas simplesmente dizer que não operarão mais a rota e esperar que a população não pressione por uma saída é igualmente impensável. Eles têm o direito de estudar e muitos fazem cursos que não são ofertados pelas universidades instaladas em Montenegro. Não é hora a abaixar a cabeça para uma decisão como essa. Transporte é serviço público, e ao qual todos temos direito. Educação também. E no momento que se dificulta a ida de um estudante para a universidade se está tirando direitos básicos dele. Nossos vereadores e o Executivo municipal precisam fazer algo pelos estudantes. Talvez tenha chegado a hora de estabelecer um subsídio de verdade.

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