Um infarto choca. Ossos quebrados assustam. A necessidade de um transplante preocupa. O coronavírus gerou pavor global. Já a depressão e os demais transtornos mentais não acionam a mesma sirene. Ainda pior, geram constrangimento. E, ao contrário dos problemas cardíacos ou fraturas, por exemplo, a busca por cuidados médicos urgentes não ocorre na saúde mental, agravando quadros clínicos que podem levar à morte tanto quanto qualquer outra enfermidade física.

Este não é um problema novo. O drama da saúde mental se arrasta ano a ano, envolvendo questões como alcoolismo, uso de drogas e a idealização suicida. Mas a pandemia de Covid-19 agravou perigosamente a situação. Mesmo ainda longe de haver um cenário estabelecido, porque a pandemia ainda não terminou, os impactos já começam a ser percebidos e registrados através de pesquisas e também pela análise dos profissionais de saúde que atendem na linha de frente, como psicólogos e psiquiatras dos Centros de Atenção Psicossocial e os hospitais com unidade de saúde mental.

O isolamento social forçado trouxe teve impacto na rotina das pessoas. As crianças foram retiradas das escolas e, mesmo tentando aprender de forma remota, perderam a interação com seus coleguinhas. Brincar no parquinho ou aquele passeio no final de semana já não existe mais. O resultado: crianças estressadas e, em muitos casos, agressivas.

E os adultos que estão acumulando funções dentro de casa? Trabalho, estudo, atenção aos filhos e algum entretenimento, tudo saindo de casa o mínimo possível. E é preciso considerar outras preocupações, como a perda de emprego ou de renda. Não é fácil!

Por um lado, os números do governo do Estado mostram que a busca por atendimento caiu no início da pandemia por conta de um medo de contaminação pela Covid-19 ao procurar os serviços de saúde. Por outro lado, hospitais do Vale do Caí com unidade de saúde mental – Montenegro e Sagrada Família – revelam elevada busca e crescimento dos casos graves, como os de tentativa de suicídio. É possível que este impacto ainda seja observado por muito tempo, o que exigirá ações nacionais de valorização da saúde mental. Este mês é lembrado como o Setembro Amarelo, uma campanha mais do que necessária. Vamos todos cuidar da mente. Da nossa e também dos que estão ao redor. Isso inclui buscar ajuda, sem constrangimentos nem receios. Não existe saúde integral sem pensar também na mental, valorizando o ser humano como todo.

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