A associação entre as bebidas e a baderna é automática para quem costuma estar nas ruas durante a noite. Se bares, restaurantes e pizzarias fecham cedo – em geral, antes da meia-noite – a solução é a rua, especificamente os locais próximos a postos de gasolina que possuem lojas de conveniência. Ali, especialmente os jovens varam as madrugadas em grupos barulhentos movidos pelo álcool. Azar de quem mora nas imediações e é obrigado a abrir mão do sossego.
No Paraná, segundo reportagens divulgadas pela mídia, em torno de 30 cidades, de diversos tamanhos, já adotaram legislações que vetam o consumo de cerveja e destilados em locais públicos entre meia-noite e 8h da manhã. O exemplo vem dos Estados Unidos, incluindo Nova Iorque, sua maior metrópole. Trata-se de uma reação conservadora não apenas à perturbação do sossego, mas também à violência urbana.
A maioria destas leis não prevê punições mais severas aos infratores, pelo menos por enquanto. Estabelece apenas o recolhimento das bebidas daqueles que forem pegos em flagrante. A restrição ao consumo, como era previsível, está gerando acalorados debates. De um lado, os jovens e alguns grupos de adultos contestando a medida com base no princípio da liberdade individual. De outro, aqueles que têm o descanso atingido, reivindicando seu direito a uma noite tranquila de sono.
A verdade é que toda vez que se precisa criar uma lei para regular comportamentos é porque a sociedade falhou na dura tarefa de ensinar aos filhos que a todo direito corresponde um dever. E que a liberdade individual termina onde começa a dos outros. É a falta de bom senso que produz estes enfrentamentos, tornando o regramento necessário e bem-vindo. Quando aprendermos a “conviver”, talvez estas leis se tornem desnecessárias. Hoje, são fundamentais.

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