Bater na mesma tecla, mês após mês e ano após ano chega a ser exaustivo. O leitor do Ibiá também deve ter esta sensação ao ler algumas reportagens. Apesar de estar com a edição do dia em mãos, tem a nítida sensação de que já leu a respeito daquela pauta. Ou pior, já leu algumas vezes. Mas não. A reportagem é nova, mesmo que extremamente repetitiva. E se é ruim para quem fica sabendo do problema pelo jornal, imagina para quem o sente na pele em cada uma das vezes que se repetiu e, de antemão, sabe que logo retornará.

Poderíamos estar citando as cheias do Rio Caí, que ano após ano desalojam famílias sem que uma solução concreta seja encontrada. Poderíamos estar falando da perigosa travessia da RSC-287, no trecho urbano de Montenegro, que precisa ter um fim através de uma alternativa segura aos pedestres, seja por rótulas, passarelas ou qualquer intervenção que garanta a segurança dos transeuntes. Poderíamos estar falando da entrega de importantes obras que se arrastam com diferentes justificativas, como é o caso da Biblioteca Pública de Montenegro ou do ginásio Domingão. Mas, na edição de hoje do Ibiá, o problema que os leitores já conhecem bem vem da localidade de Serra Velha. Não há explicação aceitável para o fato de que, a cada temporal, a comunidade fique dias sem energia elétrica.

Enquanto na cidade, em geral, as más condições climáticas resultam em pequenos transtornos e faltas momentâneas de luz, a comunidade de Serra Velha amarga dias sem o serviço básico. Isso lhes traz prejuízos financeiros o ano todo, inclusive porque empreendimentos não se instalam por antever o problema oriundo das mudanças climáticas, como a baixa potência da rede. Não é algo que possa ser encarado como aceitável e, há anos, moradores lutam por uma solução. Agora, pelo menos, a concessionária responsável acenou com, se não a solução definitiva, pelo menos uma obra de interligação que atenderá a região entre Montenegro e Brochier.

A solução definitiva, sabemos, passa pela concessionária RGE e pela Prefeitura, mas também pelos moradores; pois os postes cruzam por propriedades e, muitas vezes, a vegetação é plantada excessivamente próxima. E são essas árvores que atingem os fios a cada temporal.

Mas isto não significa que seja correto deixá-los lá três, quatro ou cinco dias sem luz – como já noticiamos muitas vezes – para então trocar o poste de madeira que, há tempo, já deveria ter sido substituído por um de concreto. Uma rotina de manutenção que se repete a cada ventania na Serra Velha. Esta comunidade, assim como todas as outras, merece atenção o ano todo, assim como investimentos preventivos. Eles não aguentam mais esperar.

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