A notícia de que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) suspendeu a realização das provas dos concursos para seleção de pessoal voltado à realização do Censo 2021 correu todos os sites de notícia do País ontem, 6, e está em todos os jornais dessa quarta-feira, 7. E muita gente deve olhar para estas notícias e se perguntar se o Censo é realmente importante. Ou, ainda, passar reto pela informação por de antemão considerar a pesquisa de pouca interferência na sua vida. Muitos estão cometendo o erro de considerar o “prejuízo” deste fato apenas às vagas de emprego perdidas. Na atual crise, as cercas de 200 mil vagas entre recenseador para agente censitário municipal e supervisor em todo o País são sim muito importantes, mas, estão longe de ser o fator primordial de preocupação.

O Censo deve ocorrer a cada 10 anos e, em 2020, foi cancelado em função da pandemia de Covid-19. Agora, porém, não é a situação epidemiológica no País que se mostra decisiva para que ele não ocorra, mas sim o orçamento público. O orçamento para realização da pesquisa passava dos 3 bilhões de reais inicialmente, foi enxugado e caiu para 2 bilhões. Mas, o que foi aprovado pelo Congresso, e agora deve ir à sanção do presidente Jair Bolsonaro, reduziu a apenas R$ 71 milhões. Isso inviabiliza qualquer possibilidade de execução de uma pesquisa deste porte, num país tão grande e tão populoso.

É compreensível que, em tempos tão difíceis economicamente, buracos surjam no orçamento. Afinal, a pandemia fez o governo injetar mais dinheiro em questões urgentes como a assistência social e o atendimento em saúde. Isto fará, por óbvio, outras pastas sofrerem com a redução de verbas. A questão é que precisamos entender o que estamos abrindo mão do desistir do Censo. A pesquisa traz dados sobre condições de vida, emprego, renda, acesso a saneamento, saúde e escolaridade, entre outros. Como, por exemplo, o governo brasileiro irá embasar as políticas para superação e recuperação pós-pandemia se não tiver informações atuais do desenho populacional? Bolsa Família, programas habitacionais, campanhas de vacinação? Tudo precisa de dados atuais e confiáveis.

É por isso que se faz pesquisa. Para ter confiabilidade e não colocar nosso dinheiro no escuro, sem saber as reais necessidades para políticas públicas. E é disso que estamos abrindo mão. Nós queremos? Nós pelo menos avaliamos essa situação para tomar uma decisão consciente? Não é algo que devamos aceitar sem questionar.

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