Ter duas competições do porte da Copa América e da Copa do Mundo de Futebol feminino ao mesmo tempo – uma no Brasil e outra na França – faz com que camisas de Seleção Brasileira voltem a ser utilizadas. No último final de semana, nossas meninas encararam a Jamaica no primeiro jogo da sua competição, com direito a três gols de Cristiane. De dependência da craque Marta, ao que parece, não sofreremos. Já a Seleção masculina, em Porto Alegre, jogou seu último amistoso antes de começar a Copa América e fez 7 a 0 nos hondurenhos.
Não somos favoritos a levar os títulos, mas ambas as vitórias ajudaram o brasileiro a “entrar no clima” . Somos, apesar de tudo, um povo apaixonado por futebol e que gosta de comemorar um gol como poucos pelo planeta. Precisamos apenas de algum incentivo para jogar junto com nossos representes, homens e mulheres. Esse incentivo vem de dentro de campo, é claro. Mas não é apenas isso. Vem também do exemplo de raça, de empenho, de amor por aquela camisa e de patriotismo que, no passado, foi muito visto e hoje não é mais tão comum. No time masculino, falta-nos “o cara” em quem depositar a nossa confiança. Entre elas, além da felicidade que sentimos de ter a melhor jogadora do mundo, também experimentamos o orgulho de ver, enfim, mulheres serem valorizadas numa área que sempre as desprezou.
Não precisamos escolher. Queremos vibrar com golaços deles e delas, torcer por títulos em ambas as categorias e nos orgulharmos de nossos craques por suas atitudes dentro e fora de campo. Mas é inegável que, para elas, as coisas ainda são bem mais difíceis e, o mais grave, já foi bem pior. “Joga como uma garota” e “tá de salto alto” são apenas duas das expressões que exemplificam muito o preconceito que ainda existe nos campos de futebol amador. No profissional, os problemas não somem. Basta saber que Neymar ganha 227 vezes mais que Ada Hegerberg, a jogadora mais bem paga do futebol feminino mundial. Mas elas não desistem. Aliás, desistir é palavra que aparece cada vez menos nos dicionários femininos mundo afora, seja para atletas, empresárias, empregadas domésticas, vendedoras ou donas de casa. A pátria de chuteiras ainda existe, com chuteiras femininas e, só para deixar claro, sem salto alto e com muito orgulho de usar a canarinho.

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