A votação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados ainda este ano é uma incógnita. Depois de uma semana de idas e vindas, reuniões, promessas e “toma lá, dá cá”, o presidente Michel Temer e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deliberam nesta sexta-feira se a matéria entrará ou não na pauta de votações na semana que vem. Em meio à dúvida, uma certeza: Temer continua inábil na condução desse processo.
As negociações que ele capitaneia são sucessivos desastres do ponto de vista da ética, porque suas habilidades resumem-se a calcular o preço das pessoas e pagar caro por elas — com dinheiro público. Seus últimos movimentos miram as centrais sindicais que se opõem ao texto. Temer lhes garantiu que, na próxima semana, irá publicar portaria para liberar R$ 500 milhões em verbas do imposto sindical que estavam retidas na União por ter havido falha no preenchimento de documentos para pagamento.
As práticas de Temer não mais causam surpresa à população, que vem perdendo a capacidade de indignar-se e espantar-se, dado o lodo de Brasília. No que tange à reforma da Previdência, chama a atenção a incompetência dele e da sua base aliada em travar um diálogo franco e direto com a população para explicar as razões pelas quais é preciso mexer nas regras de aposentadoria. O governo deve se fazer entender, provar por A mais B que o sistema, caso não corrigido do ponto de vista atuarial, vai quebrar. E deve, sobretudo, esclarecer o que tem feito para cobrar as dívidas dos grandes devedores do INSS.
Do jeito que esse debate hoje se encontra, o povo não vai respaldar os deputados nem o governo a aplicar os remédios amargos, que são necessários.Nenhum trabalhador será capaz de “passar um cheque em branco” aos congressistas — seja por falta de explicações, seja por falta de confiança.

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