Já faz alguns meses que nossa comunidade sofre com a Covid-19, seja a doença propriamente dita e também seus impactos econômicos e sociais. Nas últimas semanas isso vem se agravando. Mas, é preciso dizer que nós tivemos tempo para se preparar para esse agravamento. Se, efetivamente, nós aproveitamos ou desperdiçamos o tempo é outra discussão. Mas se a inédita pandemia mundial nos ofereceu alguns meses para nos prepararmos, a enchente – infelizmente habitual na nossa região – nos pegou desprevenidos.

Quem não vive a nossa atual realidade pode até estranhar, afinal, ano após ano, as altas do Caí fazem comunidades ribeirinhas de Montenegro e outras cidades próximas terem de deixar suas casas. Mas, em 2020, além de já termos uma crise inédita com a qual se preocupar, estávamos em uma seca histórica. Há 60 dias o Jornal Ibiá estampava em sua capa a situação do Rio Caí, cujo leito já apresentava-se muito seco por cidades como Vale Real, Bom Princípio, São Sebastião do Caí, Feliz, Pareci Novo e Montenegro. A chuva que esteve em falta por meses, ameaçando a agricultura e o abastecimento das residências chegou em uma intensidade assustadora.

Estes dois graves problemas nos colocam em uma situação extremamente difícil. Como as autoridades pedirão para pessoas desabrigadas “ficarem em casa”? Como, em abrigos temporários, essas famílias manterão o distanciamento adequado? Sim, há um esforço das administrações municipais e das defesas civis para manter alguns cuidados em cada cidade. Coisas como álcool em gel disponível e obrigatoriedade no uso de máscaras. Mas é claro que essas pessoas estarão mais vulneráveis, seja pelas condições em que estão no momento ou por como estarão suas casas quando retornarem.

A enchente coloca um pouco mais de dificuldades num momento já difícil. E que exigirá ainda mais união de todos nós. Se nas outras enchentes essas famílias já precisaram da ajuda solidária de todos, agora ainda mais. Muitos estão sem renda e terão muita dificuldade em recuperar os estragos nas residências, além de móveis e eletrodomésticos perdidos. Temos, todos, de colaborar com quem perdeu parte do pouco que tinham. Que o sol e a esperança em dias melhores nos ajudem.

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