A diferença entre o discurso e a prática, que pode ser resumida na palavra “incoerência”, sempre foi – e continuará sendo – a sepultura de lideranças e referências de comportamento com baixa concentração de bom senso. A internet está cheia dessas figuras, em blogs, perfis no Instagram e no Facebook e em canais no Youtube. Alguns têm milhões de “seguidores”, que, diferente dos zumbis que acompanham certos políticos brasileiros, possuem discernimento para diferenciar o certo do errado.

Que o diga a “digital influencer” Gabriela Pugliesi. Baiana, formada em desenho industrial, ela abandonou a profissão para seguir carreira na internet, onde usa seus perfis para dar dicas de alimentação saudável e atividades físicas. “Musa fitness”, tem cerca de 4 milhões de seguidores e é vista como referência de vida saudável. Ou pelo menos era. No sábado passado, ela realizou uma “festinha” com amigos em sua casa, furando as regras de isolamento social decorrentes da pandemia de coronavírus no estado de São Paulo.

A diferença entre o que se propõe a ser e o que se tornou diante desse comportamento irresponsável custou caro à “influenciadora”. Em poucas horas, ela perdeu mais de 100 mil seguidores e a publicidade de alguns de seus principais patrocinadores, que não querem ver suas marcas ligadas a alguém que sabota a quarentena. Ainda mais partindo de alguém que já teve a Covid-19 e se recuperou.

Os 100 mil seguidores que abandonaram Gabriela Pugliesi depois do lamentável episódio ainda são poucos se considerarmos o total de pessoas que possuem nela uma referência. Mesmo assim, esse gesto deve ser encarado como um efeito colateral positivo da doença. Quem se coloca na posição de “influenciador” precisa ter, no mínimo, coerência para sustentar seu discurso nas ações do dia a dia. E uma boa dose de bom senso para estar do lado certo, num momento em que o isolamento social tem se mostrado uma ferramenta eficiente de controle do coronavírus em todo o mundo.

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