Num momento tão grave como o que vivemos, soa como um deboche à sociedade que tenhamos de enfrentar, além dos problemas de saúde e seus reflexos na economia, uma criminalidade que não para. Ninguém esperava que os bandidos fossem cumprir quarentena e dessem paz à população, mas o registro de crimes violentos em plena pandemia é assustador. No último final de semana, dois crimes chamaram a atenção de Montenegro.

Na manhã de sexta-feira, 26, os montenegrinos acordaram com a notícia de que um homem havia morrido a tiros, em casa, na Ramiro Barcelos, no Centro da cidade. Depois, descobriu-se que se tratava de um detento que havia saído há pouco do semiaberto de Novo Hamburgo para regime domiciliar. Ele tinha antecedentes por crimes como tráfico de drogas e furto/arrombamento de estabelecimento comercial.

Logo, houve quem festejou a morte: “menos um” criminoso, disseram. Este comportamento divide a população. Uns consideram que, independente de ser um criminoso já cumprindo pena segundo o que a nossa legislação impôs, não devia, ao ser assassinado, ser tratado desta forma. Sua vida não vale menos do que outras por ele ser um preso. Porém, diante da insegurança vivida pela população em geral no momento, também é compreensível essa sensação de justiça, mesmo vinda de uma forma ruim. Não é certo, não é o ideal, mas é compreensível. Afinal, estamos oprimidos diante do que os criminosos causam a uma sociedade já bastante massacrada, como é o caso da brasileira.

No sábado, outra notícia da área policial veio fortalecer esse raciocínio. Uma joalheria foi assaltada no centro de Montenegro. No momento em que os lojistas já estão sofrendo muitos prejuízos – alguns por serem obrigados a fechar, outros por não ter clientes mesmo abertos – é ainda mais intenso o golpe. Felizmente, neste caso, uma operação realizada na manhã de segunda-feira recuperou produtos e amenizou o prejuízo. Quando ocorre desta forma, com uma resposta à altura do que a sociedade espera, somos informados que, apesar de serem tempos difíceis, há esperança. As leis podem funcionar, as operações policiais podem trazer respostas. É por esse tipo de justiça que devemos esperar. Não por tiroteios onde se faz justiça ou injustiça com as próprias mãos.

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