Propagada aos quatro ventos por famosos e endinheirados, a expressão #fiqueemcasa vem exigindo, já faz algum tempo, avaliação mais crítica, baseada na realidade. No início da pandemia, alguns exibiam a família reunida, todos bem vestidos e alimentados. Era “nobre”, “solidário” e “muito razoável” proceder com tamanha “empatia”. O tempo passou e já não há como negar que só pode mesmo ficar abrigado em casa quem tem o salário garantido no fim do mês. É um privilégio de servidores públicos, aposentados e pessoas que acumularam riquezas ao longo da vida.

A verdade é que, quando a pandemia começou, parecia muito lógico participar de um esforço nacional para que desse tempo de o governo aparelhar os hospitais, criar novas estruturas e adquirir respiradores. A economia aguentaria os 45 dias de lockdown que ocorreram em dezenas de outros países. Contudo, quase cinco meses depois, continuamos na mesma. Os investimentos realizados não suprem a necessidade, até porque muito dinheiro foi desviado. A ampliação da capacidade de atendimento não foi proporcional aos sacrifícios feitos pelo setor produtivo e, por consequência, pelos trabalhadores desempregados, socorridos com esmolas.

A realidade agora é muito pior. Não só a doença se espalhou, como muitas empresas não suportaram as restrições e fecharam as portas. Está na cara que este modelo não surtiu os resultados desejados e precisa ser reavaliado. Governadores e prefeitos agem como se a solução fosse proibir o comércio nas cidades, mas permitem a abertura de bancos, lotéricas, salões de beleza, academias e indústrias, mesmo aquelas que não fabricam alimentos. Os lojistas e prestadores de serviços são chamados a, sozinhos, pagarem esta conta, quando outros setores e, principalmente, o serviço público, com seus salários mais elevados, passam incólumes à turbulência.

Emprego, renda e riqueza são o antídoto para enfrentar os enormes desafios em diferentes áreas, inclusive da saúde pública, e não apenas o coronavírus. Não podemos nos esquecer da depressão e de outras doenças psicológicas, que destroem a capacidade de reação das famílias mais afetadas. Precisamos cuidar uns dos outros, respeitar protocolos de saúde nas empresas, nos lares e nas ruas, mas manter o comércio fechado é um exagero que vai custar muito mais caro do que se imagina.
É hora de enfrentar o “politicamente correto”. Chega de fingir que cuidar da economia é acabar com a vida das pessoas.

É o contrário. Quem se importa com o próximo quer produzir, gerar renda e dignidade para sobreviver. Nem a população de países de primeiro mundo aceitaria parar pacificamente por tanto tempo. Máscaras em locais públicos, água, sabão ou álcool em todos os cantos, cuidados para evitar aglomerações, ambientes arejados e barriga cheia. Isso sim vai nos livrar da doença!

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