Semana passada, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estendia aos presidentes da Câmara, do Senado e do Supremo a prerrogativa de não serem investigados e processados por fatos ocorridos antes de assumirem os mandatos. O objetivo era blindar Rodrigo Maia (Câmara) e Eunício Oliveira (Senado), nomes citados em investigações sobre suas relações com empreiteiros. Eles passariam a ter o mesmo benefício do presidente da República. Aprovada a PEC, não precisariam dar satisfações ao Ministério Público e à Justiça.

Diante da forte reação à manobra, Jucá recolheu a PEC. Por trás dela, estão as impressões digitais dos políticos que temem a Lava-jato. Era uma manobra para proteger parlamentares que aparecerão citados nas delações da cúpula da Odebrecht, a serem conhecidas depois do Carnaval. Deverá haver referências a 130 deputados, senadores, ministros e ex-ministros, entre outros, além de até 20 governadores e ex-governadores.

Tentar aprovar esta PEC às vésperas do encaminhamento de pedidos de abertura de inquérito pela PGR ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-jato, com base nas delações da Odebrecht, foi mais um acinte contra a sociedade. Assim como foi a eleição do senador Edison Lobão, um dos citados nas investigações, para presidir a Comissão de Constituição e Justiça. Era um claro ataque contra a operação que vem passando o Brasil a limpo, felizmente rechaçado. Mas virão outros. É preciso estar alerta.

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