A saúde pública, em todas as suas frentes de atuação, trabalha no limite. No melhor dos cenários, não sobram recursos. Na maior parte dos casos, faltam. Mesmo sem desejar fazer alarde na população, uma análise rápida projeta expectativas ruins, devido a uma conjuntura de fatos. A começar pelo desemprego. Menos gente protegida pelos planos de saúde empresariais e – de um semestre ao outro – milhares de novos dependentes do Sistema Único de Saúde a engrossar suas longas filas. Outra questão é que a cobertura vacinal brasileira, que num passado recente foi considerada modelo, hoje é falha. Seja pela irresponsabilidade dos pais ou pela falta de imunizações, o fato é que hoje os cidadãos estão mais vulneráveis e, quando se peca na prevenção, as internações aumentam.
Para piorar a situação, em curto prazo, temos ainda, aqui no Rio Grande do Sul, um clima que parece puxar as pessoas para dentro das emergências. Depois de um junho estranhamente quente, experimentamos temperaturas mínimas abaixo de 0°. Sobretudo as crianças e os idosos, mas também os adultos, sofrem com as mudanças bruscas, que comprometem a saúde. Se não bastasse tudo isso, tanto a Secretaria Municipal de Saúde quanto o Hospital Montenegro citam o não comparecimento de pacientes a consultas e procedimentos agendados como mais uma dificuldade. É recurso que sai, sem benefício à população.
Se antes já tínhamos emergências lotadas, o que esperar do futuro? Esse é o problema de se trabalhar no limite. Basta qualquer parafuso fora do lugar para que as falhas na engrenagem apareçam. Nas emergências da Capital, que recebem muitos pacientes do interior, é comum ver placas informando da superlotação. Por aqui, a situação também se agrava nessa época do ano. Diante de tudo isso, resta à população fazer o possível para não precisar dos serviços de saúde emergenciais.

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