Todos nós sabemos que o planeta passa por um momento de exceção. E se na Ásia e na Europa o pior parece já ter passado, por aqui as coisas ainda estão bem fora da curva. Por isso, uma série de regras vem caindo, pelo menos temporariamente. De aluno de Medicina que teve a formatura antecipada a estabelecimentos comerciais de portas fechadas por semanas, muita coisa antes impensável acabou se tornando realidade. O problema se agrava quando parte da sociedade entende que medidas de exceção só são válidas se não atingirem a ela ou a sua categoria.

Esta semana, o comércio montenegrino iniciou uma movimentação no intuito de abrir as portas nesta quinta-feira, feriado nacional de Corpus Christi. Não houve acordo com o sindicato e algumas empresas, diante da negativa, chegaram a manifestar interesse de desrespeitar a decisão e seguir operando, embasadas numa medida provisória que abriria brecha legal para isso no período da pandemia. Mas há divergências legais sobre o assunto e a orientação do Sindilojas, diante da negativa do Sindicato dos Comerciários, foi que o comércio respeitasse o feriado.

Mas, independente da prevalência ou não desta medida provisória específica, é preciso que consideremos o momento vivido atualmente e a falta de sensibilidade do sindicato que representa os trabalhadores do comércio. Nunca esteve em discussão a justiça do feriado ou se ele deve ou não ocorrer anualmente. O que precisava ter sido considerado pelas lideranças é que os lojistas, em 2020, passaram semanas sem ver um cliente sequer entrar nos estabelecimentos devido a decretos municipais e estaduais e, mesmo agora, lutam para manter os negócios durante uma baixa nas vendas que há muito não sentiam. A decisão do sindicato local torna-se ainda mais danosa porque os centros de compras de outros municípios abriram normalmente. E então o dinheiro que poderia circular em Montenegro foi parar em Porto Alegre ou em cidades do Vale do Sinos.

É claro que não será o faturamento de um dia a definir a salvação do comércio local. É óbvio que a população poderia comprar hoje, sexta-feira, ou esperar pela segunda-feira próxima para fazer suas compras ao invés de ir a algum shopping da Capital. Mas, infelizmente, sabemos que para parte da população não importa onde se compra e sim apenas ter o produto. E assim se vão os recursos que farão muita falta por aqui. Feriado é bom? Claro. Mas ter emprego é necessário.

Temos lojas já fechando as portas, outras reduzindo seus quadros de funcionários. E depois, quando a crise se aprofundar, não adiantará tentar pedir socorro aos empresários. No futuro, pode faltar emprego na mesma proporção que faltou sensibilidade para compreender o momento. O fato é que todos saímos perdendo.

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