Em torno de 1.400 políticos que tiveram seus registros barrados pela Justiça Eleitoral e recorreram da decisão poderão concorrer nas eleições 2018 com nome, foto e número na urna eletrônica. Para esses candidatos, a campanha continua até que o recurso contra o indeferimento seja julgado definitivamente. Nestes casos, os votos são computados, mas não aparecem nos resultados oficiais até que todos os recursos sejam julgados. Se o candidato conseguir reverter a decisão, seus votos serão divulgados. A diplomação do político em caso de vitória também depende do deferimento de seu registro.
Entre os impugnados, 12 disputam o cargo de governador, 26 de senador, 462 de deputado federal e 855 de deputado estadual. O levantamento foi feito com base em estatísticas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas o número de candidatos sub judice deve cair nos próximos dias, conforme os recursos forem sendo julgados pelo TSE e tribunais regionais nos estados.
A situação é ruim para o político, mas principalmente para o eleitor. A legislação brasileira, especialmente a partir do momento em que a ficha limpa se tornou pré-requisito para concorrer, tem mantido muitos malfeitores dos cofres públicos longe das urnas. Contudo, decisões de tribunais estaduais, com frequência, são modificadas nas instâncias finais, o que estimula a incerteza.
São muitos os casos em que o político sabe que está condenado e, mesmo assim, lança a candidatura na esperança de que algum juiz seja complacente. E, infelizmente, alguns são. Daí que o eleitor acaba votando sem saber se a sua escolha terá alguma valia.
Não basta apenas tornar a lei mais dura. É preciso que as várias instâncias do Judiciário dialoguem entre si e firmem bases sólidas para o cumprimento das regras. E, principalmente, que o processo de registro das candidaturas seja iniciado mais cedo, a ponto de, quando a campanha começar, estas dúvidas já estarem dirimidas. É bom para o eleitor e indispensável para a Democracia.

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