Os sábios costumam dizer que, na política, mais difícil do que vencer é saber o que fazer com a vitória. Pode parecer paradoxal que alguém se atire na busca de uma meta e, ao alcançá-la, não tenha definido exatamente de que forma vai colocar em prática aquilo que prometeu, mas isso é bem mais comum do que se imagina. Nós, brasileiros, teremos agora uma bela oportunidade de saber se aqueles que pretendem nos governar estão à altura da confiança que nos pedem. Tanto para a presidência da República quanto para o governo do Estado, o segundo turno das eleições é uma bela oportunidade para descobrir.
A campanha presidencial, especialmente, foi duramente prejudicada pela ausência de Jair Bolsonaro (PSL) nos debates e entrevistas. Vítima de um atentado, ficou muito tempo internado e, mesmo em casa, não tinha condições de encarar maior esforço. Coube ao vice representá-lo em alguns momentos e as poucas declarações que o general Mourão deu já mostraram que falta maior sintonia entre eles. Pelo menos na área econômica, no que diz respeito ao 13º salário, os dois têm visões diametralmente opostas. Isso poderá ser melhor esclarecido agora.
Da mesma forma, o candidato do PT, Fernando Haddad, precisa explicar melhor seu nome nas listas de suspeitos produzidas por fraudes na época em que era prefeito de São Paulo. Também não está claro seu posicionamento em relação à Operação Lava Jato e à prisão do ex-presidente Lula, seu grande mentor. Haddad vai mexer os pauzinhos para soltá-lo ou deixará que a Justiça conclua seu trabalho? Queremos saber!
Não é diferente no Rio Grande do Sul. De um lado, o governador José Ivo Sartori alega que somente a adesão a um acordo com o governo federal, que reduz o tamanho do Estado, pode nos tirar do atoleiro. Se não ocorrer, como ficamos? Já Eduardo Leite fala em meritocracia e propõe, por exemplo, a extinção da Empresa Gaúcha de Rodovias, a EGR, na qual repousa nossa esperança por melhorias na RSC-287. Fale-nos mais sobre isso, candidato.
No segundo turno, com confrontos diretos e os mesmos tempos de TV e rádio para apresentar ideias e projetos, nossos candidatos ganham mais uma chance de nos convencer de que são a melhor saída. E nós, eleitores, ainda que as opções não nos agradem, temos o dever de ouvi-los, até para cobrar depois. Não podemos perder esta oportunidade. Pelo Rio Grande, pelo Brasil.

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