É normal que nós estejamos abordando o começo de ano letivo na rede estadual. Afinal, em 2020 ele chega cheio de novidades. Temos novas disciplinas, uma postura mais interativa e novos horários sendo implantados. Tudo isso precisa ser ajustado e algum percalço ou necessidade de ajuste são considerados aceitáveis. Mas, infelizmente, mais uma vez, o que vira manchete é um problema antigo que, de alteração, só tem o fato de se acentuar a cada ano.
Todas as escolas estaduais de Montenegro têm falta de professores. São mais de 2.800 alunos cujas grades de disciplinas estão com lacunas. A falta de professores na rede estadual só faz piorar a cada ano e a explicação do governo estadual – de que está trabalhando nas contratações para suprir a demanda – não convence nem resolve. É difícil compreender que, ano após ano, o início das aulas seja manchado por problemas que poderiam ser evitados. Agora o governo diz que autorizou a renovação de 19.980 contratos temporários de professores em 2020 para todo o RS. Mas isso não poderia ter sido feito antes, em tempo de começar com os professores já aptos a lecionar?
O ensino público tem suas dificuldades. E a quantidade de alunos que o Rio Grande do Sul tem poderia ser comparada com o total de estudantes de alguns países. Portanto, problemas são naturais e ajustes necessários. Mas ter sempre o mesmo problema é sinal de que ele nunca é resolvido. É preferível pensar que a solução depende de dinheiro para chamar mais professores concursados – além de pagar bem e em dia. Só assim teremos menos profissionais contratados emergencialmente e que, sem o vínculo do concurso, tendem a ter uma rotatividade maior.
Se chegarmos à conclusão de que o problema não está na crise financeira do Estado, que impede investimentos na educação, concluiremos que é simples falta de organização. E isso seria ainda mais problemático e inexplicável. A verdade é que tudo isso impacta no futuro do Estado, que depende destes jovens para sair do buraco. Ou alguém acha que sem força de trabalho capacitada o Rio Grande do Sul evoluirá?

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