A edição dessa quinta-feira do Jornal Ibiá apresenta um número alarmante: os casos de violência doméstica cresceram 72% na região em relação ao mesmo mês de 2019. Foram 143 casos registrados em janeiro desse ano contra 83 no ano passado. Os números preocupam, mas, ao mesmo tempo, revelam outra face da realidade: as mulheres, principalmente, estão tendo mais coragem para denunciar seus agressores. Suas vidas estão sendo colocadas em primeiro lugar frente a uma sociedade machista e violenta, que diariamente as força a uma condição em que são agredidas por quem deveria estar ao seu lado e as respeitar.
Diferente de muitos municípios gaúchos, felizmente, não registramos casos de feminicídio em 2020 na região atendida pela Deam de Montenegro, embora haja uma tentativa já no primeiro mês do ano. Porém, houve diversas ocorrências de lesão corporal, ameaças e outros crimes praticados dentro de casa, onde as vítimas deveriam estar – em tese – seguras contra a violência.
E se engana quem pensa que a violência doméstica começa quando há uma morte, ou até mesmo uma agressão física. Há, inclusive, a já conhecida frase “ele nunca me bateu”, usada para justificar atos moral ou psicologicamente agressivos. Mas outras atitudes, como chantagear, pedir para trocar a roupa que “está curta”, mudar a maquiagem ou até controlar o dinheiro do (a) companheiro (a), também são casos de violência. Essas, muitas vezes, acabam sendo romantizadas como prova de amor ou demonstrações de ciúmes quando, na verdade, invadem a individualidade do parceiro e caracterizam algum grau de agressão que pode evoluir, de acordo com especialistas, até chegar a situações mais extremas. Claro que nem todo caso de chantagem termina em morte. Mas, certamente, todo feminicídio foi, no início, uma pequena discussão ou até um “tapinha” que passou despercebido. Que bom que, cada vez mais, a sociedade se conscientiza e luta para enfrentar esse tipo de situação. E que os casos continuem sendo denunciados e tratados com o rigor da lei.

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