Hoje deveriam ser retomadas as aulas para o Ensino Médio em todas as escolas da rede pública estadual na região. Deveriam, em um mundo ideal. O problema é que essa não é a realidade de grande parte das instituições que, sem condições de voltarem às atividades, adiam pela segunda vez o retorno. Isso porque, na semana passada, quando era a data inicialmente prevista, o adiamento já havia acontecido. Agora, pela segunda vez, elas precisaram tomar essa providência.

Essa situação ocorre por diversos motivos. O principal deles é a falta dos equipamentos de proteção individual (EPIs) necessários para garantir a segurança de alunos, professores e demais servidores das instituições de ensino. Outras, ainda, como é o caso do Polivalente, em Montenegro, sofrem com o déficit de estrutura física. No caso do Poli, o problema foi gerado por um ato criminoso, que deixou a instituição sem energia elétrica em boa parte de suas dependências, impossibilitando a retomada das atividades. O problema não é exclusividade de Montenegro, como relatado na matéria da página 11 desta edição.

O descaso com a comunidade escolar é generalizado pelo Estado. É triste (e até revoltante) constatar que, mesmo após meses parados, o governo não tenha se mobilizado para garantir que as escolas possam voltar, na data prevista, com a estrutura necessária e com segurança aos envolvidos.

O retorno não é algo anunciado ontem, ou cujas medidas não foram amplamente discutidas. Há tempos eram debatidas as condições para que a comunidade escolar pudesse voltar a atuar total ou parcialmente de forma presencial. Como ficam os alunos, pais e professores que, ao se prepararem para o retorno, ficam à mercê da desorganização do poder público, em cumprir o que foi exigido por ele mesmo? A expectativa em não saber o dia de amanhã é mais um entrave à educação de nossos jovens neste período de tantas incertezas.

E, se formos discutir ainda mais a fundo, o esperado era que o tempo que as escolas permaneceram fechadas (assim como parques, praças e outros espaços públicos) fosse utilizado para realizar obras nas estruturas; sobretudo nas mais defasadas. Falta de tempo não foi, certamente. O que falta, então? Dinheiro? Vontade? Lamentável que a educação seja tão desrespeitada num mundo em que, cada vez mais, precisamos dela.

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