Quem tem filhos em idade escolar nos dias atuais não sabe como, literalmente, será o dia de amanhã. Não bastassem todos os medos e angústias que a pandemia acrescentou aos habituais de quem tem uma criança sob sua responsabilidade, a briga judicial a respeito da retomada das aulas presenciais ampliou a insegurança. Há mais de um ano as escolas estão fechadas e, ao que parece, esse tempo não bastou para que as autoridades entrassem em acordo sobre o que é necessário para que as aulas presenciais ocorram com segurança.

Que os pais divirjam sobre o assunto, é natural. Primeiro porque quando falamos de “opinião” é difícil encontrar unanimidade. E, segundo, porque as condições das famílias são diferentes e levam a posições opostas. A família que tem com quem deixar o filho, em segurança, e meios para que ele tenha ensino remoto de qualidade, vê a manutenção do ensino apenas online de uma forma diferente da mãe que não pode trabalhar e vê três ou quatro crianças “dividindo” o único celular da casa em aulas que, na prática, são pouco aproveitadas. Mas, aceitarmos que os pais divirjam é muito diferente de considerarmos normal o troca troca de orientações que vimos nos últimos dias.

Faz semanas que o governador Eduardo Leite vem subindo o tom a respeito da necessidade das crianças voltarem às escolas. Na sexta-feira foi apresentada uma “solução” que, em resumo, incluía a educação no sistema de co-gestão e permitia que os prefeitos abrissem as escolas se assim achassem correto. Já na sexta, foi levantada pela imprensa a possibilidade da decisão cair por via judicial, mas, vários prefeitos – inclusive do Vale do Caí – anunciaram retorno das aulas presenciais para ao longo dessa semana acreditando na garantia estadual. E as famílias, informadas pelas prefeituras que as escolas de Educação Infantil e as turmas de primeiro e segundo ano do Ensino Fundamental voltariam, se prepararam para mandar as crianças para as instituições. Pois a proibição judicial veio durante o final de semana. Entre a decisão judicial e a orientação do Estado, os prefeitos não sabiam o que fazer. Apenas já na manhã de segunda-feira o executivo estadual reconheceu que valia a decisão judicial e que, por isso, aulas presenciais não estavam permitidas.

Estava previsto que o judiciário voltasse a analisar o assunto nessa segunda, às 18h. A decisão não havia saído até o fechamento desta edição do Ibiá. Independente do que fique definido, duas questões precisam ser salientadas. Sim, os professores e funcionários de escola têm todo o direito de exigir vacina e a sociedade deveria estar unida por essa demanda. Até porque muitos têm comorbidades. A outra questão é que precisamos parar de fingir que o ensino remoto está suprindo as necessidades das crianças. Pode até ser assim para alunos maiores e com mais condições de acesso à tecnologia, mas, na alfabetização, e nas áreas onde há comunidades carentes, a defasagem é intensa e recuperar o que essas crianças perderam será tarefa difícil. Se essa energia utilizada em idas e vindas jurídicas tivesse sido investida na qualidade do ensino oferecida no último ano, talvez estivéssemos bem melhor agora.

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