Desde a última sexta-feira, 3, muitos montenegrinos têm se surpreendido com a pintura do meio-fio das ruas do Centro na cor azul. Trata-se do primeiro contato visual da comunidade com o estacionamento rotativo, que deve estar em funcionamento em 17 de fevereiro. Apesar de anunciado há bastante tempo e de ser uma demanda antiga de parte da população – faltam vagas para quem precisa resolver algo rápido no Centro, enquanto alguns veículos lá ficam das 9h às 18h estacionados – a pintura gerou reclamações.
Chama a atenção que agora surjam tantos questionamentos, por exemplo, sobre se os veículos estariam ou não segurados devido ao pagamento e qual o destino do dinheiro. Perguntas válidas, mas que deviam ter sido feitas lá atrás, quando a implantação do sistema estava em discussão. Não agora que tudo está decidido e garantido em contrato. É algo similar ao que ocorre no pedágio em fase final de construção na BR-386. Muitos passaram por ali nos feriados recentes e se surpreenderam com o adiantado da obra, que até placa com preços já tem. É o assunto surgir que não demora para alguém dizer que o correto seria os veículos com placa de Montenegro terem isenção. Outro questionamento muito válido, mas que é feito atrasado.
Todos os montenegrinos têm o direito de se manifestar – seja contra ou a favor – sobre o rotativo e o pedágio. Sobretudo porque os temas de trânsito mexem com a rotina das pessoas e, em ambos os casos, as mudanças trarão impacto financeiro às famílias. Mas vale destacar que o Jornal Ibiá acompanhou ambos os processos de perto, desde o leilão de concessões da BR-386 no caso do pedágio, e autorização da Câmara de Vereadores e cada uma das várias licitações do estacionamento. E não houve união popular contra ou a favor.
A impressão que se tem é que essas pessoas que agora reclamam de pagar para estacionar no Centro ou para ir a Porto Alegre, quando souberam que os projetos estavam em andamento, não acreditaram que eles, algum dia, sairiam do papel. Deixaram para lá, talvez, pensando que alguém tomaria uma atitude. O ano de 2020 já chegou e, ao que parece, ainda não aprendemos que reclamar nas redes sociais tem pouco – ou nenhum – efeito no mundo real e que são as atitudes concretas, realizadas na hora certa, que oferecem a possibilidade de mudar algo, seja lá o que for.
Agora, o que podemos é cobrar para que o pagamento realmente aumente a circulação nas vagas de estacionamento e as condições de tráfego na rodovia federal melhorem. É a contrapartida que precisamos.

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