Dizem que os grandes líderes se revelam nos momentos de crise. Foi assim com o inglês Winston Churchill durante a 2ª Guerra Mundial; com o americano Franklin Roosevelt na Depressão de 1929; e com o indiano Mahatma Gandhi na mobilização pela independência do seu país. Ninguém espera que, em nossa região, brote uma liderança com tamanha energia, mas é justo esperar que nossos dirigentes na esfera política estejam sintonizados com as dificuldades da população e façam, pelo menos, aquilo que o bom senso sugere como o ideal. Infelizmente, nem sempre é assim.
Na segunda-feira à tarde, quando o governo do Estado e grande parte das universidades gaúchas já haviam suspenso as aulas, o prefeito Kadu Müller e sua equipe chamaram a imprensa para anunciar uma série de medidas contra a propagação da pandemia de coronavírus. Todos esperavam que também a rede pública municipal fechasse, mas a Smec apenas pediu que os pais mantivessem em casa os alunos que apresentassem sintomas de gripe, mesmo que leves.
A medida, obviamente, não é suficientemente eficaz para conter o avanço do vírus. O mesmo ocorreu nas demais cidades da região, para assombro de muitas famílias. Aquela primeira orientação não protegia os professores, que também convivem em outros ambientes e podem tanto ser infectados quanto transmitir a doença.
O cancelamento das atividades escolares pelo Estado e pelas instituições particulares faz parte de uma estratégia que pretende evitar o aparecimento de muitos casos da doença ao mesmo tempo. Os serviços de saúde não terão condições de atender a todos por falta de leitos e respiradores se houver um grande “pico” de contágio. A recomendação parte de técnicos e especialistas, levando em conta as características da doença e a eficácia da contenção em países que agiram desta forma. Não é achismo!
Os prefeitos demoraram a agir e só ontem à tarde, depois de uma reunião da Associação dos Municípios do Vale do Rio Caí (Amvarc) anunciaram o fechamento das escolas por duas semanas. Mesmo assim, alguns não escondiam a contrariedade, provavelmente porque muitos pais irão reclamar por não terem com quem deixar os filhos. Às vezes, os políticos precisam simplesmente fazer o que é certo e não o que é mais conveniente.

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