Um buraco na estrada. A rotina das mães que, de coração ferido, deixam os filhos na creche para irem ao trabalho. Uma ponte prestes a cair. A coleta de lixo que nem sempre acontece. Para algumas pessoas, possivelmente essas questões são pequenas, simplórias, ou tão corriqueiras no dia a dia que nem merecem ser notícia. Nós, do Jornal Ibiá, respeitosamente discordamos. Elas são grandes. São imensas porque elas fazem diferença na vida das pessoas.
Os prefeitos, na busca por mais recursos junto ao Governo Federal, dizem que a vida acontece é “na cidade”, não em Brasília ou na capital do Estado (a não ser para os moradores de Porto Alegre). Está correto. A pavimentação é na cidade. As escolas funcionam nas cidades. A ponte é responsabilidade do município. Porém, seguindo essa mesma lógica, vamos um pouco além: é no bairro e nas localidades do interior que a vida em comunidade acontece. Por isso intensificamos nosso olhar sobre as periferias e localidade da zona rural de Montenegro.
Então vocês querem saber só de problemas? Claro que não! Há tantas histórias para serem contadas. Nossas comunidades mostram sua força ao vencerem dificuldades diárias. Têm seus líderes, pessoas que são referência local e que nos enchem de orgulho. Queremos contar essas histórias. Mas não iremos deixar de mostrar os problemas, dar voz ao povo e cobrar soluções. O jornalismo hiperlocal está no nosso DNA e no nosso lema: dia a dia do seu lado. E, sobretudo, é a nossa razão de existir.
O poeta brasileiro Ferreira Gullar escreveu alguns versos que se adaptam à situação e que pedimos licença para compartilhar com vocês, leitores: “A história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais. Ela se desenrola também nos quintais, entre plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas. Disso eu quis fazer a minha poesia. Dessa matéria humilde e humilhada, dessa vida obscura e injustiçada, porque o canto não pode ser uma traição à vida, e só é justo cantar se o nosso canto arrasta consigo as pessoas e as coisas que não têm voz”.

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