Uma frase mal colocada, especialmente na boca de um político, é capaz de produzir muitas dúvidas na população. Mais ainda quando parte do presidente da República. Quinta-feira, Jair Bolsonaro anunciou o fim das lombadas eletrônicas à medida que os contratos de uso forem vencendo. Na sexta, menos de 24 horas depois, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, disse que a instalação dos equipamentos será reavaliada, mas serão mantidos em locais que se mostrarem necessários. E que foi exatamente isso que o chefe da nação “quis dizer”.
Obviamente, pode haver uma grande diferença entre aquilo que uma pessoa declara e o que, do outro lado, é interpretado. Contudo, o presidente deveria tomar cuidado e ser mais claro e objetivo em suas manifestações, para não parecer, diante da nação, que seus subordinados estão lhe minando a autoridade quando aparentemente contradizem suas falas.
“Vamos investir em segurança, vamos investir em melhoria geométrica, vamos investir em manutenção da via, vamos investir em sinalização agressiva, e lombada vai ter onde for absolutamente necessário, onde o ponto crítico é decorrente do excesso de velocidade”, explicou Freitas. Esta versão é muito mais lógica e palatável e certamente têm o apoio da maior parte da sociedade.
As lombadas eletrônicas começaram a ser instaladas nas rodovias federais do Rio Grande do Sul em dezembro de 2010, com a promessa de redução das mortes no trânsito. No ano anterior à implantação do sistema, houve 394 acidentes fatais nas estradas fiscalizadas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), conforme dados do Departamento de Trânsito do Rio Grande do Sul (Detran-RS). Ao fim de 2018, o número caiu para 368. Parece pouco, mas, nesse mesmo período, a frota gaúcha aumentou 53,3%.
Num mundo ideal, não haveria redutores de velocidade, pardais, azuizinhos e multas. Todos respeitariam as leis de trânsito e dirigiriam com calma e atenção. As estradas, todas elas, estariam livres de buracos e seriam bem sinalizadas. O problema é que, no mundo real, estamos distante dessa realidade. A repressão é necessária e acabar com ela por decreto seria um desastre.

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