Não foi uma surpresa. Mas a confirmação de que a participação na votação para conselheiro tutelar – não obrigatória – em Montenegro iria mobilizar uma parcela pequena da população é desanimadora. Apenas 3.320 exerceram seu direito de voto na eleição. Isso em um contexto de mais de 46 mil montenegrinos aptos a participar. Significa que pouco mais de 7% dos que poderiam estar lá, de fato, foram às urnas. Dados preliminares do Cartório Eleitoral informam que, nesta edição, houve participação de 1.140 pessoas a menos que no pleito passado para este importante cargo, realizado em 2015. Pelo que se percebe nos dados da região, o percentual de participação também não muda muito.
Por se tratar de uma eleição onde o cidadão não tem nenhuma exigência em participar, é natural que muitos optem por ficar em casa. Sobretudo em um final de semana chuvoso. É provável que apenas aqueles envolvidos na campanha, familiares e conhecidos próximos dos candidatos tenham se dado o trabalho de ir aos pontos de votação. Outra dificuldade, sabemos, é que os locais são diferentes das eleições políticas, agrupando sessões em menos escolas. Isso, principalmente no interior, fez com que, para votar, o deslocamento fosse bastante longo em alguns casos.
Mesmo assim, a questão exige um questionamento. Por que não valorizamos uma função tão importante? E essa percepção não se dá apenas pela votação e sim pela participação em geral. Era visível, durante toda a campanha, que a população não estava acompanhando a eleição, motivada ou envolvida na escolha dos melhores. Isso é um problema para a nossa sociedade. Os cinco eleitos terão a missão árdua de zelar por nossas crianças e adolescentes, tantas vezes mal-tratados em casa, nas ruas e até em instituições de ensino.
Ao contrário do que muitos pensam, ser conselheiro tutelar não é receber para não fazer nada ou palanque para vida política. É uma missão pelo bem de nossas crianças e pela formação de uma geração mais amparada. Boa sorte aos eleitos. E que, nos próximos anos, eles cumpram o que prometeram e zelem pelo nosso bem maior: os jovens montenegrinos.

Deixe seu comentário