É legítimo, prudente e, às vezes, até imprescindível que as instituições de ensino, inclusive as públicas, adotem todas as medidas necessárias para assegurar a segurança intramuros. Além da proteção do patrimônio, há o bem maior, que são as vidas das crianças, dos adolescentes, dos professores e dos demais servidores que atuam nas unidades de ensino.

Contudo, a necessidade de instalar grades, câmeras de monitoramento e outros equipamentos em ambiente escolar é, antes de nada, um símbolo de falência. Uma comunidade que rouba a sua própria escola? Logo ela, a tábua de salvação da maioria das pessoas? É porque faliu a segurança pública, faliu a família, faliu o governo. Transformar escolas em fortalezas de segurança é perda geral de controle. É prova de que praticamente tudo deu errado. Há algo extremamente anormal nesse tecido social. Não se pode remediar a situação e depois dar-lhe as costas, aceitando esse caos a que chegamos.

Educai as crianças e não será preciso punir os homens, advertiu Pitágoras cerca de 500 anos antes de Jesus Cristo nascer. Precisamos reconhecer que estamos muito mal em matéria de punição e, se chegamos a este ponto, é que porque somos incompetentes na tarefa de educar. A violência e as drogas engolfaram a sociedade brasileira, de forma que não nos resta outro caminho senão educar. Comecemos todos, hoje, por nós mesmos, pelas nossas casas. É questão de sobrevivência.

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