Demorou muito além do aceitável, mas, enfim, o Ministério da Educação (MEC) anunciou que o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi adiado. A razão é óbvia: com a pandemia de coronavírus e as escolas fechadas, muitos estudantes não estão tendo como se preparar adequadamente. Ainda não se sabe a nova data das provas que iriam ocorrem em novembro, já que o MEC promete fazer uma enquete com os inscritos para decidir sobre um adiamento que pode ser de 30 a até 60 dias. Fato é que hoje existe um abismo entre as condições dos estudantes das redes pública e privada na concorrência às vagas.

Na propaganda do governo, é sugerido “estude como puder”. A mensagem é de muito valor, mas é possível colocá-la em prática com justiça? Na rede particular, onde tanto escolas quanto estudantes têm melhor acesso à internet, o ensino online pode compensar pelo menos, em parte, a falta do contato presencial. Já os alunos e professores dos colégios públicos sabem que a sua realidade não é bem essa. Para que o ensino EaD funcione, é necessário que ambos tenham acesso a uma boa plataforma, que permita interação e prática de atividades em grupo, além de internet na velocidade adequada. Muitos, obviamente, não têm poder aquisitivo para isso.

Grande parte de nossos alunos acessa a internet apenas pelo celular, com internet pré-paga e muito limitada. Impossível estudar assim. E mesmo quem tem dinheiro muitas vezes não têm acesso à internet por habitar uma zona rural em que o sinal não chega. E ainda há os que têm internet, mas vivem numa casa de poucos cômodos onde têm de estudar sem um espaço adequado à concentração.

Adiar era a única alternativa. Agora, nossos governantes terão de encontrar soluções para essas lacunas. Os estudantes da rede pública já enfrentam tantas dificuldades para poder aprender, que não podemos aceitar serem ainda mais prejudicados. Precisamos, sim, da nova geração de médicos, enfermeiros, professores e de tantas outras carreiras. Mas eles precisam estar bem formados. E isso começa numa seleção adequada dos que ingressarão nos cursos. Vamos, sim, estudar como pudermos. O futuro desde país, mais do que nunca, depende da educação. Mas também vamos cobrar que todos tenham condições. Os gestores que encontrem os meios, como puderem.

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