Desde a Revolução Industrial, no século XIX, o homem vem sendo substituído pelas máquinas. De fato, nas fábricas, o que a até alguns anos era feito por centenas de trabalhadores agora pode ser realizado, com a mesma eficiência, por um conjunto de equipamentos ligados a uma fonte de energia. Como consequência, a força foi substituída pela inteligência como principal ativo no mercado de trabalho. Isso vem ocorrendo em todas as áreas e não é diferente na Medicina, onde a tecnologia garante a universalização de serviços e facilita o acesso a medicamentos, graças à produção em larga escala.
Por conta do impressionante volume de descobertas feitas nas últimas décadas, doenças que antes matavam milhares de pessoas por ano, como varíola, tétano, difteria, paralisia infantil e sarampo – para citar apenas algumas – praticamente desapareceram. As pessoas vivem mais e melhor. Já não é preciso abrir o abdômen de alguém para confirmar a existência de um tumor. Exames de imagem fornecem diagnósticos de alta precisão e tratamentos que nossos avós não chegaram a conhecer tornaram-se corriqueiros.
Tudo isso é fascinante e desejável, mas possui um efeito colateral: muitos médicos saem das faculdades extremamente dependentes da tecnologia. Já não se dispõem a conversar, a interrogar o paciente para saber o que ele está sentindo. Às vezes, antes deste diálogo, que deveria ser o pilar da consulta, recomendam testes caros e desnecessários. Na outra ponta, o doente não se sente acolhido, tem dificuldade de confiar no profissional porque não acredita que ele está, de fato, preocupado com a sua situação.
Médicos não devem se comportar como simples peças de uma engrenagem. Seus consultórios não podem ser oficinas para a reposição de itens danificados. A empatia, colocar-se no lugar do paciente, é o primeiro remédio em qualquer tratamento. Às vezes, uma conversa franca, em que o doente pode simplesmente desabafar, tem um grande potencial de cura. Pode parecer antiquado, mas funciona. Uma boa reflexão para este Dia do Médico.

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